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CIDADES
Sábado, 06 de Outubro de 2012, 18h:11

PREOCUPAÇÃO

Viadutos podem virar problema social

Em São Paulo, espaços são avaliados porque servem de depósito de lixo, abrigo de usuários de drogas e placo de cenas de violência

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Oito viadutos estão sendo ou serão construídos, em Cuiabá e Várzea Grande, com a proposta de acabar com pontos de conflitos no trânsito, consequentemente, como forma de garantir mobilidade urbana. Entretanto, inúmeras cidades que optaram por este tipo de vias elevadas estão demolindo-as ou dando novas utilizações a elas. Exemplo disso é São Paulo (SP), que vem rediscutindo espaços como estes como o Minhocão ou Elevado Costa e Silva. O entendimento é que os viadutos poluem visualmente e desvalorizam imóveis vizinhos já que embaixo são espaços sem vida, escuros, sujos, onde concentram indigentes e usuários de drogas. Também podem se tornarem ineficientes com o passar do tempo caso não sejam desenvolvidas soluções para o conjunto viário ao seu entorno. A experiência histórica mostra que se um problema com um cruzamento estiver a poucos quilômetros do viaduto, o engarrafamento inevitavelmente chegará ao próprio elevado. Questões como estas foram suscitadas durante as audiências públicas realizadas há duas semanas para a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA - Rima) e Estudo de Impacto de Vizinhança e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIV-RIV), do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), sob responsabilidade do consorcio VLT Cuiabá-Várzea Grande. “São intervenções muito pesadas. Árvores foram retiradas para dar lugar a lajes suspensas, os carros vão passar pela lateral, embaixo não haverá nada. Esses espaços terão que ser melhores aproveitados, não poderão servir de abrigo e nem receber lixo”, destacou o engenheiro civil Archimedes Pereira Lima Neto, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (CREA/MT) e ex-secretário de Meio Ambiente da capital. Entre as soluções apresentadas, conforme Archimedes Pereira, estão a instalação de recintos (que podem funcionar como lanchonetes, por exemplo), bancos e estruturas para atividades de lazer e cultura. “São opções que podem melhorar esses espaços e que precisam ser fomentadas”, disse. Outro cuidado é com a iluminação. “Têm que ser muito bem iluminados porque logo depois as pessoas vão passar e ficar com medo”, alertou. Dos oitos viadutos, cinco fazem parte do projeto do VLT. Neste caso, estão os elevados do trevo da Universidade Federal (UFMT), Beira Rio/Fernando Correa, Avenida do CPA/Sefaz, MT-040 (saída para Santo Antônio de Leverger), todos em Cuiabá e, ainda, o do Aeroporto, em Várzea Grande. Têm ainda os viadutos do Tijucal, Dom Orlando Chaves, do Despraiado, este último um dos maiores com aproximadamente 450 metros. Nesta última semana, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) autorizou a emissão da Licença Prévia para a construção do VLT. O parecer técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) avalia a construção como viável, porém recomenda que sejam adotados amplos programas de educação ambiental e de comunicação social, incremento de programas sociais e estudos relativos ao sistema de integração ônibus-VLT e tarifas.

Edição EDIÇÃO 16968




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