CIDADES
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010, 20h:29
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MÁFIA DA SECA
Vereador identifica pessoas que pagaram por produto até para servidores da Sanecap
Líder da comissão especial da Câmara criada para apurar suposto esquema diz ter convicção de que não há razão para frequente falta dágua
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Presidente da Comissão Especial da Câmara Municipal que investiga as denúncias de irregularidades no sistema de abastecimento de água em Cuiabá, o vereador Toninho de Souza afirmou ontem que tecnicamente não há nada que explique a intensa falta de água nos mais diversos bairros. A afirmação é feita em cima de informações já obtidas sobre o volume de água tratada na Capital, além de situações como a vazão do rio Cuiabá, que atualmente é controlada pela Usina de Manso, e do reforço ou ampliação do sistema com a Estação de Tratamento (ETA) do Tijucal. De junho de 2009 até aqui não houve nada que pudesse justificar essa falta de água. Se falta, é intencional, frisou. Denúncias feitas ao vereador dão conta de que funcionários ligados a própria Companhia de Abastecimento da Capital (Sanecap) estariam trabalhando a favor de empresas de caminhões-pipas. O esquema funciona por meio de manobristas, responsáveis pela liberação do líquido para determinados bairros em dias e horários programados. As manobras visam o bloqueio da água para alguma comunidade que, sem alternativa de abastecimento público, recorre às empresas de caminhões-pipas. Ao reforçar que tem a convicção da existência da máfia da seca, Toninho de Souza frisou que precisa comprovar por meio de depoimentos e documentos. Por isso, solicitou a quem comprou água de empresas particulares ou de funcionários da Sanecap que procurem à Comissão. Entre as denúncias que a Comissão já recebeu está a de uma moradora do bairro Boa Esperança que, na última sexta-feira, pagou a um motorista de um dos caminhões-pipas da Sanecap R$ 80 por mil litros de água. Dinheiro, conforme frisou Toninho de Souza, não é contabilizado pela empresa, já que vai parar no bolso do funcionário. O vereador citou outros exemplos de irregularidades como ocorre no Serra Dourada, onde há três anos e meio a chave de manobra da bomba para abastecimento do bairro está nas mãos do presidente. Este é um procedimento que deve ser feito por um funcionário da Sanecap, comentou, destacando que situação parecida acontece no Novo Paraíso. É no mínimo ingerência (da Companhia), acrescentou. Essas pessoas estão sendo convidadas e deverão prestar depoimento na Câmara Municipal durante a fase de oitivas (8 a 11 de novembro) da Comissão. Além disso, a comissão está estimulando os consumidores lesados a denunciarem. Para isso, realiza audiências nos bairros. Ontem à noite, seria no Novo Paraíso e, hoje, no Jardim Universitário. O foco é onde há rede de distribuição e nunca teve problema e, de repente, começou a faltar água, explicou. Queixas também podem ser feitas pelo telefone 3617-1557. Um agravante, conforme Souza, é que não existe nenhuma fiscalização sobre a operação dessas empresas (caminhões-pipa) na Capital. Pedimos informações de quantas são, onde captam água, mas não existe nada. Pode ser que pegam água diretamente do rio Cuiabá (sem tratamento) ou entregam água de qualidade duvidosa, alertou. Por isso, após a conclusão dos trabalhos, alguns encaminhamentos serão feitos para cobrar a identificação e regularização com licença ambiental dessas firmas. O presidente da Sanecap, Carlos Roberto da Costa, também determinou a abertura de sindicância interna para apurar as denúncias.