O empresário de Mato Grosso Luiz Antônio Vedoin, apontado como mentor do esquema de venda superfaturada de ambulâncias, que ficou nacionalmente conhecido como sanguessuga, vai responder a mais um processo na Justiça Federal. Ele e os acusados Luiz Bernardino de Souza Neto e Eder Pereira de Souza vão responder pelos crimes de falsidade ideológica, contra a fé pública e contra a ordem tributária, denunciados pelo Ministério Público Federal. O juiz federal da 3ª Vara de Mato Grosso, Pedro Francisco da Silva, que acolheu a denúncia, marcou para 3 de setembro o interrogatório dos réus. Atendendo a Vedoin, dono da empresa Planam, os outros dois acusados fariam o papel de laranjas, como sócios de outras empresas para vencer concorrências públicas e negociar produtos hospitalares e ambulâncias com preços muito acima do mercado em favor da organização criminosa. Os envolvidos, conforme denúncia do MPF, pagavam propinas a parlamentares em todo o país para, através de emendas propostas ao orçamento da União, vender às prefeituras produtos superfaturados. De acordo com investigações da Polícia Federal, o esquema também tinha amparo nos municípios, que facilitavam a aprovação de empresas ligadas a Vedoin nas licitações. Vedoin já responde a uma ação penal por formação de quadrilha, corrupção ativa, crimes contra a administração pública e fraude em licitações desde 2006, quando a Polícia Federal deflagrou no Estado a Operação Sanguessuga. A reportagem tentou contato telefônico com os defensores de Luiz Antônio Vedoin, mas não conseguiu falar com os advogados.