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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 14 de Julho de 2007, 14h:06

PROJETO RONDON

Vanerão com rasqueado

Os contrastes e afinidades de dois povos distintos que desde a semana passada se encontram em Santo Antônio de Leverger

KEITY ROMA
Da Reportagem
Separados por cerca de 2 mil quilômetros, sulistas e mato-grossenses estão tendo a oportunidade de interagir e descobrir suas diferenças culturais. Há sete dias, 14 acadêmicos e quatro professores de universidades da região Sul do país chegaram à pacata cidade de Santo Antônio do Leverger, a 35 quilômetros da Capital. Os viajantes fazem parte do Projeto Rondon, desenvolvido pelo Ministério da Defesa em todo o Brasil, e passam o dia realizando atividades com a população local. Do vanerão ao rasqueado e do chá-com-bolo ao chimarrão, eles já detectaram que são diferentes em muitos aspectos. “Nós somos da terra do tchê. Vocês da terra do tchá, tchi, tcho, tchu, tchom”, brinca a professora de farmacologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Solange Dieterich. “Eles são muito bonitos”, observa o vendedor de pamonhas nascido em Leverger que não quis se identificar, fazendo alusão aos olhos e cabelos claros dos sulistas, características pouco comuns no povo do município. Para quem nunca tinha ouvido falar em Santo Antônio do Leverger, o relacionamento com os habitantes da cidade tem sido interessante, relata o paranaense Luiz Gerber. “Me impressionou bastante quando fomos em escolas e vimos a educação das crianças. A professora falava e elas obedeciam. Hoje isso é raro”, aponta o recém-formado em marketing, que integra a comitiva. “Outra coisa que me chamou a atenção é a necessidade que essas pessoas têm de ser ouvidas e precisam de alguém para escutá-las”, completa Gerber. A mesma percepção teve a professora Dieterich. Além das reclamações pontuais que os moradores fazem em relação principalmente à saúde pública, eles ressaltam muito o orgulho que têm da cultura regional. “Na maioria das cidades pequenas como essa, a população jovem acaba indo embora para trabalhar e ficam apenas os mais idosos. Com o tempo a tendência é o município acabar, mas aqui não, acontece justamente o contrário. Resolvendo alguns problemas pontuais, esse é o município ideal, quase o paraíso”, diz a professora universitária. Apesar do recato dos habitantes do lugarejo, as mulheres, por exemplo, tiveram de receber orientações dos rondonistas para deixarem de resistir ao atendimento dos médicos de saúde feminina que atuam em Leverger. E eles se mostram bastante receptivos e amigáveis. Até mesmo uma festa foi organizada semana passada para que os sulistas ensinassem o vanerão e aprendessem o rasqueado da Baixada Cuiabana. Passados os primeiros dias de adaptação e superadas as piadas dos levergenses com os gaúchos, a troca de aprendizado tem sido excelente, garante a professora de enfermagem da UPF, Maria Lúcia Dal Magro. “Aqui existem coisas interessantíssimas, pessoas com capacidade de desenvolver muitos trabalhos bons, mas sem o aporte necessário”, avalia. Questionadas sobre o que levarão da cidade quando voltarem pra casa semana que vem, a resposta é a mesma, a alegria e o calor da população da cidadezinha que até pouco tempo o povo do sul desconhecia.

Edição EDIÇÃO 16968




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