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CIDADES
Segunda-feira, 27 de Maio de 2013, 20h:44

TRANSPORTE COLETIVO

Usuários ficam no ponto

Alunos não conseguiram chegar à escola e nem funcionários as empresas devido à greve dos motoristas de ônibus

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mais de 300 mil passageiros do transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande ficaram totalmente sem ônibus no início da manhã de ontem devido à greve geral dos motoristas e cobradores do setor. Praticamente 100% da frota ficou parada até às 9 horas, horário em que a categoria começou a cumprir a liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que obriga a manutenção de no mínimo 50% da frota em circulação, independente do horário, e não apenas 30%, como prevê a legislação geral em caso de serviço essencial. Na Capital, apenas os microônibus rodaram nas primeiras horas do dia. De acordo com a Associação Mato-grossense dos Transportes Urbanos (MTU), os trabalhadores não deixaram os ônibus circularem. Estes, por sua vez, afirmavam estar preocupados com a possibilidade dos carros serem alvos de vandalismo. Entre as duas cidades, dois ônibus, um da empresa União Transportes e o outro da Pantanal, foram depredados. A assessoria de imprensa da MTU informou que, nos dois casos, o vandalismo foi provocado por dois homens que estavam de motocicleta. Eles passaram e atiraram pedra nos vidros dos veículos, que estavam estacionados. As empresas registraram boletim de ocorrência. A frota que atende Cuiabá e Várzea Grande é formada por 450 veículos. A paralisação é devido ao impasse na negociação salarial entre os 2.500 trabalhadores, dos quais 1.200 motoristas, e a MTU, que representa a classe patronal. A categoria reivindica reajuste salarial de 33% e plano de saúde. O percentual pleiteado eleva o salário dos motoristas de R$ 1,5 mil para R$ 2 mil, conforme o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Coletivo (STETT/CR). Porém, a última proposta feita à categoria pelos empresários era de aumento de 10,6% no salário-base. Um dos principais argumentos é a dupla função motorista-cobrador. "Atualmente, muitos motoristas estão exercendo a função de cobrador. O nosso trabalho é cansativo e estressante e há vários colegas com problemas de coluna e estresse. É justo que recebamos um salário melhor", argumentou o motorista Joecil Pereira Leita, 32 anos. Já ex-cobradora Enilza Gomes, 48 anos, se mostrava preocupada com a manutenção do emprego. "Nossa preocupação é se vão manter a gente ou não", disse a funcionária da Norte-Sul que atualmente trabalha como vendedora de cartão. Como estratégia de greve, os trabalhadores foram para as garagens, mas não saíram para trabalhar. Na Norte-Sul, que fica na avenida Fernando Correa, região do Coxipó, dezenas de motoristas e cobradores se aglomeravam em frente ao portão da empresa. Por lá, 100% da frota estava parada. Enquanto isso, vários usuários aguardavam nos pontos em vão. Este era o caso do supervisor Luiz Felipe da Silva Matos, 24 anos, que esperava pelo coletivo que faz a linha Tijucal/Despraiado há mais de uma hora. "Até agora não passou nenhum ônibus. Já avisei o patrão que vou chegar atrasado", comentou. Para a próxima sexta-feira, no TRT, está marcada a primeira audiência de conciliação entre os representantes dos sindicatos dos trabalhadores e patronal antes do julgamento da Ação de Dissídio Coletivo de Greve, ajuizada pela empresa de ônibus. Com a greve, há aumento no número de carros de passeio circulando pelas vias da cidade. Para garantir o bom fluxo, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU) colocou em campo todos os agentes de trânsito. Porém, o órgão municipal pede para que os motoristas tenham paciência, principalmente nos locais de desvios das obras de mobilidade urbana e nas avenidas Fernando Correa, Miguel Sutil, General Melo, Beira-Rio, Carmindo de Campos e Archimedes Pereira Lima.

Edição EDIÇÃO 16961




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