No Brasil o formol já é proibido em alguns casos, como em cosméticos e produtos de limpeza. Para a fabricação de produtos de beleza a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite apenas 0,2% de concentração do produto e restringe o uso para qualquer outra finalidade. Nesta semana, os Estados Unidos emitiram um alerta dizendo que o formol faz mal à saúde e que inclusive provoca câncer. E a Organização Mundial de Saúde classifica o produto como agente cancerígeno desde 2004. Segundo os pesquisadores, não é saudável o contato excessivo com esmaltes de unha, alguns perfumes e alisantes de cabelo. Até mesmo aquele cheirinho de carro novo está sendo combatido pelos estudiosos. A recomendação é que os proprietários de veículos zero quilômetro andem com as janelas abertas para que o cheiro possa sair mais facilmente do carro, pois o aroma é garantido pelo formol. A química Valmiene Ribeiro Lopes diz que, de fato, os cientistas norte-americanos têm razão. Ela explica que há aproximadamente dois meses a Anvisa baniu o uso de formol em bactericidas e qualquer outro produto de limpeza por entender que se trata de uma substância de alta periculosidade e que pode até matar quem tem contato direto. Valmiene relembra de dois casos. Uma mulher teria ido a um salão de beleza para fazer uma técnica de alisamento dos cabelos. Após passar os produtos, a cabeleireira foi lavá-los e todo o couro cabeludo simplesmente se desprendeu da cabeça, matando a mulher. A química diz que essa história ficou conhecida no meio em que trabalha e que serve até hoje como exemplo sobre os males do formol. Outro caso assustador relatado por Valmiene é de uma outra mulher que se submeteu a um tratamento semelhante e teve todos os cabelos destruídos pelo formol, além de desenvolver problemas respiratórios e cegueira. É muito sério isso. Pessoas morrem por ter contato com esse produto e o fato é que ninguém fiscaliza, diz. Ela reclama que o maior incentivador do uso de formol no país é a falta de um órgão fiscalizador competente. Segundo ela, a Anvisa não conseguiria visitar todos os salões de beleza e empresas, nem tampouco recolheria os materiais apreendidos. A cabeleireira Fátima Gonçalves diz que não costuma usar produtos à base de formol nos cabelos de suas clientes, por isso trabalharia com uma marca de alisantes livre do produto. Ela explica que os salões de beleza, em sua grande maioria, não possuem mesmo um órgão fiscalizador que possa regular o uso de diversos produtos e quem sairia perdendo com isso seria o próprio consumidor. As clientes normalmente não entendem nada e confiam em nós. Se não temos qualificação é bem possível que haja acidentes, diz Fátima.