CIDADES
Sábado, 08 de Março de 2008, 14h:36
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Universitário relata como superou piadas
O universitário Paulo Lobo, 21 anos, aluno do curso de Marketing, cansou de ouvir piadinhas nos corredores da escola privada onde estudou por toda sua infância e parte da adolescência. Entretanto, jamais brigou ou reclamou à direção da escola porque acreditava que as brincadeiras, como prefere vê-las, eram conseqüência da falta de conhecimento dos colegas sobre a homossexualidade. Mas, confessa ele, entende que talvez se a escola discutisse o tema com os alunos, o preconceito pudesse ser amenizado. A gente não faz a opção de ser gay, nascemos assim e aos poucos vamos nos aceitando, esclarece Paulo, que hoje trabalha como cabeleireiro. Com a mãe, Paulo diz que nunca enfrentou problemas por ser gay. Ao contrário, aos 14 anos, em meio a turbilhão de dúvidas e medos sobre sua sexualidade, e quando decidiu contar à mãe que era gay, veio a surpresa. Ela respondeu naturalmente que já sabia, recorda. Com o pai, as coisas foram diferentes. Filho único de um agricultor, Paulo enfrentou dificuldades. Foram anos de conversas para que pudesse ser aceito e respeitado na sua orientação sexual até chegar à liberdade que dispõe hoje de levar o namorado na casa dos pais. Eu não o culpo, se até eu resisti à idéia de assumir que sou gay, assinala, lembrando que por alguns anos, entre os 14 e os 17, fez terapia na tentativa de mudar, talvez ser homem e estudar Agronomia, para trabalhar como o pai no campo, já que sabia que esse era o sonho dele. Tanto que, aos 17 anos, decidiu namorar uma garota, relacionamento que durou seis meses e que acabou se transformando numa forte amizade. Até hoje, diz Paulo, a única mulher com quem se relacionou é uma de suas melhores amigas. (AA)