CIDADES
Sábado, 05 de Julho de 2008, 15h:01
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INFECÇÕES
Unidades de saúde e funerárias no alvo
MPE investiga os estabelecimentos quanto a armazenagem, transporte e destinação do lixo hospitalar, chamados de protagonistas de quadro estarrecedor
ALECY ALVES
Da Reportagem
Todos os hospitais e unidades de saúde de Cuiabá, inclusive o Instituto Médico Legal (IML) e as funerárias onde os corpos são preparados para o velório, estão sob investigação do Ministério Público Estadual, num inquérito aberto pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Dois procedimentos instaurados no final de 2005, contra dois hospitais, um público e um privado, com a finalidade de apurar a forma de armazenagem, transporte e destinação dos resíduos da saúde mostraram um quadro estarrecedor, segundo o promotor da área, Gerson Barbosa. Por causa das inúmeras falhas descobertas, Barbosa decidiu estender as investigações para as demais unidades. A situação se apresentou tão caótica, diz Barbosa, que essa questão entrou como uma das prioridades de 2008 no Planejamento Estratégico Anual do MPE. Isso significa dizer que promotores, técnicos e peritos estão debruçados sobre o processo. A situação é caótica em todos os aspectos, denuncia Gerson Barbosa, acrescentando que os hospitais não armazenam, nem transportam e tampouco destinam corretamente o lixo produzido em suas instalações. Barbosa destacou que da geração até a disposição final do lixo, é obrigação do gerador, ou seja, hospital ou outras unidades de saúde, cuidar para que os resíduos não representem nenhum risco à saúde pública e ao meio ambiente. Essa é uma das exigências do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em Cuiabá, reclama ele, não há veículos especiais para o transporte dos resíduos. Cada tipo de lixo, observa, deveria ser coletado, armazenado e transportado de forma diferente, de acordo com o risco que representa à saúde e à natureza. Num dos hospitais, a perícia feita pela engenheira sanitarista do MPE, Dinalva Lima de Souza, apontou irregularidades em todos os aspectos. A Vigilância Sanitária Municipal, diz Barbosa, também vistoriou o local e, a exemplo de Dinalva, detectou falhas graves, as quais estão em documento disponível no inquérito. O poder público também está falhando porque não exerce seu poder de polícia, pois tem poder até para fechar a instituição, descarrega. Com vasta documentação reunida comprovando irregularidades, o promotor Gerson Barbosa está agendando para o mês de agosto, em dia e horário ainda não definidos, uma audiência pública para discutir os problemas relacionados ao lixo hospitalar. A expectativa dele é que após esse debate sejam definidas as obrigações de cada unidade, clínica, casa, centro ou posto de saúde, assim como o papel dos órgãos públicos de saúde estadual e municipal. Logo após a audiência, o promotor quer firmar um Termo de Ajustamento de Conduta com os órgãos, hospitais e outros envolvidos na questão. Se não houver acordo, Gerson Barbosa fala até em ação criminal contra àqueles que colocam, de forma consciente e irresponsável, a saúde da população e o meio ambientem em perigo.