CIDADES
Terça-feira, 17 de Agosto de 2010, 19h:50
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QUALIDADE DO AR
Umidade mais baixa do ano
Cuiabá registra índice de 14% e entra em estado de alerta. Defesa orienta abrigo do sol e hidratação
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
A umidade relativa do ar atingiu o nível mais baixo do ano por volta das 15h30 de ontem, na Capital. De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o índice chegou a 14% em Cuiabá e atingiu estado de alerta para a população da cidade. O nível ideal para a saúde humana é de 60%. O índice da umidade não deve melhorar nos próximos dias. A previsão, de acordo com o Cptec, é que o tempo continue seco e que as temperaturas permaneçam acima de 30ºC. Nesta quarta-feira, conforme as previsões do Centro, a mínima deve ser de 17ºC e a máxima pode chegar a 37ºC, com predomínio de sol o dia todo. Com a umidade tão baixa, os cuidados com a saúde devem ser intensificados. De acordo com as orientações da Defesa Civil do Estado, quando o índice está abaixo de 20%, é preciso evitar exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h, evitar aglomerações em ambientes fechados e procurar um médico caso haja irritação nos olhos e no nariz. Além desses cuidados, deve-se umidificar o ambiente com vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água; ingerir muito líquido, de preferência água, sucos e chás, fazer refeições leves, evitar banhos mornos ou quentes e vestir roupas leves. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a baixa umidade do ar fez com que, no mês de julho, aumentasse a procura por atendimento nos postos de saúde da família e policlínicas de Cuiabá, principalmente de idosos e crianças. A maioria das pessoas que buscaram atendimento na rede pública de saúde apresentou quadro de doenças respiratórias agravadas por causa do clima seco, como rinite alérgica, bronquite e asma. Ainda conforma dados da Pasta, houve aumento nos casos de pacientes com tosse e irritação na garganta e nos olhos e viroses. A baixa umidade também pode aumentar incidência de doenças de pele. FULIGEM - A qualidade do ar anda ainda mais comprometida em Mato Grosso desde a intensificação das queimadas no período da estiagem. Dados do Cptec também apontam que, nos 16 primeiros dias de agosto, o Estado jogou no ar 2.466.860 milhões de toneladas de monóxido de carbono. A poluição superou a gigantesca São Paulo e só perdeu para a emitida no estado do Pará, que registrou no período 5.221.260 milhões de toneladas de CO. Além da poluição, o ar nessas condições apresenta uma grande quantidade de partículas em suspensão, que podem originar várias doenças respiratórias, como tosse seca, respiração ofegante e cansaço. O Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, enviou alerta aos municípios mato-grossenses. Já se sabe que a população de Sinop (distante a 500 quilômetros de Cuiabá) pode estar comprometida pela baixa qualidade do ar e vir a sobrecarregar os postos de assistência à saúde apresentando sintomas de doenças respiratórias. Os moradores de Marcelândia continuam sendo afetados pela fumaça que ainda é liberada nas montanhas de pó de cerra. Só em atendimentos às vítimas de intoxicação o município já contabiliza 500. Segundo o coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental do Estado, Wagner Peres, o monitoramento referente à qualidade do ar é realizado duas vezes durante a semana com dados disponibilizados pelo Inpe. As informações são repassadas através do boletim VIGIAR a todas as regionais de saúde e, destas, aos 141 municípios de Mato Grosso. No boletim VIGIAR estadual os municípios prioritários, segundo dados ambientais epidemiológicos para o programa de monitoramento, são Água Boa, Barra do Garças, Cáceres, Campo Novo do Parecis, Colíder, Diamantino, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, Tangará, Várzea Grande, Alta Floresta, Juara, Juína, Peixoto de Azevedo, Porto Alegre do Norte, Sorriso, Vila Rica e Sinop. (Colaborou Dhiego Maia)