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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 05 de Novembro de 2011, 13h:10

HABITAÇÃO

Uma casa e nada mais

Novos núcleos habitacionais foram construídos muito distantes de unidade de saúde, escola, creche e áreas de lazer

ALECY ALVES
Da Reportagem
Nunca na história deste país, pelo menos de que se tem registro oficial, se construiu tantas casas populares para famílias de baixa renda parcialmente subsidiadas pelo governo federal. Em Mato Grosso, especialmente em Cuiabá e Várzea Grande, milhares de famílias que não tinham moradia própria ou que viviam em áreas com risco de inundação, foram contempladas com imóveis pelos quais assumiram financiamentos que vão perdurar por 15 ou mais anos. Se por um lado o trabalhador está contente por realizar o sonho da casa própria através do “Minha Casa, Minha Vida” dentro do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), por outro vive o pesadelo da falta infraestrutura desses novos bairros. Os novos núcleos habitacionais, mesmo os maiores, com 900 e até mil casas, o que corresponderia a 3 mil moradores, estão sendo construídos muito distantes de unidade de saúde, escola, creche e áreas de lazer. O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei 8069/0), diz que toda criança e adolescente (de zero a 18 anos) tem direito a escola próxima à moradia. Entretanto, em núcleos como o José Carlos Guimarães, em Várzea Grande; Cláudio Marchetti, Buriti, Belita Costa Marques e Avelino Lima Barros, em Cuiabá, os gestores públicos se “esqueceram” que as crianças precisam de escola, creche e assistência médica. O Residencial José Carlos Guimarães, por exemplo, fica perto do Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, longe praticamente de tudo. O mesmo acontece com esses residenciais cuiabanos, todos situados às margens da Avenida Edna Affi (das Torres). Os pais, sem alternativa, aceitam que os filhos corram riscos de vida no trajeto de casa à escola, transportadas em ônibus velhos, sem as mínimas condições de circulação, como o que tombou no Jardim Imperial lotado com mais de 40 crianças. O acidente aconteceu há 15 dias e deixou 13 alunos feridos. Durcelina Lima Nunes, que mora no residencial José Carlos Guimarães há seis meses, tem quatro filhos que estudam em escolas do bairro Cristo Rei. Ela, que saiu de área de risco na Lagoa do Jacaré, conta que os filhos já passaram o dia inteiro sem dar notícia e com fome porque o ônibus quebrou no retorno da escola. No entendimento de Durcelina, a transferência das famílias só deveria ter acontecido após a construção da escola. Depois de tentar e não conseguir vagas para os filhos em escolas dos bairros próximos, Taianara dos Santos Martins, que recebeu uma casa no mesmo núcleo, decidiu que acompanharia as filhas no ônibus. Todos os dias Taianara e as crianças, de 6 e 8 anos, acordaram às 5h30 e caminham oito quadras até chegar ao ponto do coletivo escolar. Depois, ela passa a manhã na porta da escola esperando as crianças. “Não confio em deixar meus filhos irem sozinhos, é muito arriscado”, justifica. Cleni Sampaio de Sousa, com uso da influência da amizade conseguiu matricular a filha, de 11 anos, em uma escola não tão distante. Ela conta que o marido é conhecido do diretor do colégio e só assim o convenceram a abrir uma vaga para a menina.

Edição EDIÇÃO 16961




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