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Sábado, 22 de Março de 2014, 13h:43

PESQUISA

Um mar sob a crosta

Cientistas de universidade canadense encontram diamante em Juína que indica um reservatório de água abaixo da superfície terrestre

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Diamante encontrado em Juína (735 km de Cuiabá) por cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, indicam a presença de um vasto reservatório de água, possivelmente do mar, numa profundidade de 400 a 700 km abaixo da superfície terrestre. A teoria já foi publicada em duas revistas científicas, a norte-americana Science e a inglesa Nature. De acordo com um dos autores do estudo, Graham Pearson, a amostra fornece confirmações extremamente fortes de que há pontos úmidos profundos na Terra nessa área. Segundo ele, esta região é conhecida como zona de transição e pode conter tanta água quanto em um oceano. A prova para teoria, viria de um mineral raro que absorve água chamado Ringwoodite, encontrado na zona de transição entre as camadas superior e inferior do manto terrestre. A análise do material revelou que a rocha contém uma quantidade significativa de moléculas de água, da ordem de 1,5% de seu peso. O manto está localizado á uma profundidade de 2,9 mil quilômetros em torno de toda crosta terrestre. O principal mineral do manto superior é a olivina. Quando a profundidade e, consequentemente, a pressão aumentam, a olivina se transforma, mudando de estado. Entre 410 km e 520 km, ela vira wadsleyite e, entre 520 km e 660 km, chega a ringwoodite, um mineral que contém água. Conforme os pesquisadores, esta variedade de mineral já foi encontrada em meteoritos, mas nunca oriunda da Terra, justamente por se encontrar a uma profundidade inacessível. "Até hoje, ninguém nunca tinha visto ringwoodite do manto da Terra, ainda que os geólogos estejam convencidos de sua existência", destacou o geólogo Hans Keppler, no editorial publicado na "Nature". O mineral foi descoberto pela equipe de Graham, em 2009, quando os pesquisadores examinavam um diamante marrom sem valor comercial, de apenas três milímetros, encontrado em Juína. A amostra foi submetida à análise por espectroscopia e difração por raio-X durante vários anos até ser oficialmente confirmada como ringwoodite, tornando-se a primeira prova terrestre dessa rocha. Para os pesquisadores, o diamante chegou à superfície da Terra durante uma erupção vulcânica. A água, porém não seria encontrada em forma líquida, e sim, contida nesse mineral bem particular. Para Ricardo Weska, professor de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com doutorado e mestrado em diamantes, esta descoberta é muito importante para se entender e conhecer o interior terrestre. Porém, ele discorda que está água vem do mar e seja em grande quantidade. Segundo ele, a representação de água nestes diamantes é similar a zero o que dificulta a teoria. Ele afirmou ainda que esta água dificilmente poderia ser consumida por humanos por se encontra em uma profundidade inalcansável. Em maio, Weska vai se juntar a equipe de pesquisadores do Canadá para coletar novas amostras de material em Juína, para comprovar se existem mais diamantes com esta composição ou se foi uma anomalia.

Edição EDIÇÃO 16967




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