O ex-diretor da Cadeia Pública do Capão Grande, Rodrigo Lara da Silva, obteve liberdade provisória junto à 1ª Vara Criminal de Cuiabá e deixou o Presídio Pascoal Ramos no final da tarde de quinta-feira. Silva havia sido preso em flagrante no dia anterior pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele estaria tentando extorquir a empresa que fornece refeições aos reeducandos da unidade prisional. Ao receber a ameaça de ter o serviço suspenso por falsas reclamações de má qualidade da comida, o proprietário da marmitaria denunciou Silva ao Gaeco. O grupo investigou o ex-diretor por dois meses e, no dia em que ele receberia R$ 500 da vítima, foi realizado o flagrante. O dinheiro seria apenas uma parcela do montante que supostamente ele ganharia com a extorsão. O advogado de Silva, Claudison Rodrigues, afirmou que seu cliente foi vítima de uma armação para afastá-lo da gerência da cadeia e que provará sua inocência. O dinheiro que Silva estaria recebendo, segundo o defensor, seria referente a uma doação feita pela empresa fornecedora de alimentos ao Conselho da Comunidade Carcerária do Capão Grande. O valor seria investido na unidade prisional. Com os quinhentos reais ele (Silva) pagaria uma dedetização realizada anteriormente no local. Qualquer um pode fazer doações ao Conselho, que é uma entidade legítima para receber ofertas para investimentos direcionados a melhorias na cadeia, disse Rodrigues. No dia do flagrante, Silva prestou depoimento ao delegado do Cisc Verdão, André Gonçalves. Na mesma data, foi exonerado do cargo pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Ele exercia a função há aproximadamente dois anos. A vaga está ocupada provisoriamente por Pedro Pio, funcionário de carreira da Superintendência de Gestão de Cadeias do Estado, subordinada à Sejusp.