NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 14 de Setembro de 2013, 13h:10

PESQUISA

UFMT: inovação zero

Estudo do Datafolha mostra que universidade não registrou nenhuma patente em 10 anos; falta de recursos impede avanço

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
O Ranking Universitário Folha (RUF), estudo realizado pelo Instituto Datafolha, deu nota zero para Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no quesito inovação. A categoria avaliava o número de patentes registradas pelas universidades entre 2002 e 2011 junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A UFMT não teve nenhum no período. Enquanto a UFMT não marcou nenhum ponto, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que tem menor concorrência e número de alunos, ficou com a 45ª posição no ranking. A nota máxima na categoria era de quatro pontos e a UFMS conseguiu atingir 2,45. Já a Universidade Federal de Goiás (UFG) ficou em 40º lugar com 2,68 de nota. Conforme o pró-reitor de pesquisa da UFMT, Joanis Tilemahos Zervoudakis, a pesquisa da universidade evoluiu muito nos últimos anos. Porém, segundo ele, a falta de recursos tem sido um dos maiores entraves. “Tivemos uma redução de 25% nos recursos. Muitas agências de fomento simplesmente não dão continuidade aos processos e aos repasses, principalmente a Fapemat [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso]”. Zervoudakis assegura que como as pesquisas são muito dinâmicas e, com a interrupção dos repasses, muito deixa de ser criado. “Muitas pesquisas têm potencial de gerar patente, mas acabam parando no meio, e o que é novidade hoje, não é amanhã”. De acordo com o professor Olivan da Silva Rabelo, coordenador do Escritório de Inovação Tecnológica (EIT) da UFMT, a falta de recursos faz com que muitos pesquisadores parem o trabalho. Ele afirma também que o estudo analisou apenas um viés da área de inovação, o que não compreende todo o tema. “O Manual de Oslo, de 2003, define a inovação como implementação de um produto (bem ou serviço) novo, significativamente melhorado, um processo ou um novo método de marketing, um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho e nas relações externas. Ou seja, entendemos inovação como um processo, porque ela não é realizada de forma instantânea”. Segundo Rabelo, o EIT foi criado em 2007, mas somente implementado em 2009. Ele afirma que, embora com pouco tempo de existência, as atividades na área de inovação desenvolvidas no órgão têm sido de extrema importância para a difusão da ciência, tecnologia e inovação, que não é mensurada apenas pelo registro de patentes, mas também através de outros indicadores. Ele afirma que um dos grandes problemas é que só são consideras patentes da universidade quando é ela quem financia o projeto. Muitos professores apenas usam o campus e registram as patentes como pessoa física e não jurídica. Conforme Adnauer Daltro, diretor técnico cientifico da Fapemat, nos últimos anos o órgão vem sofrendo com a falta de recursos. “A legislação estadual define que 0,5% da arrecadação seja destinada para o setor, porém isto não acontece mais. Dos R$ 23 milhões que temos direito, recebemos apenas R$ 9 milhões.” Ele conta que alguns pesquisadores têm ingressado com representações junto ao Ministério Público para tentar garantir o direito, já que sem os repasses até pesquisas que utilizam outros fundos também ficam prejudicadas. Conforme o EIT em 2012, data não avaliada pelo Datafolha, a universidade deu entrada em uma patente. Trata-se do processo da construção de eletrodos modificados e sistema de medição do índice de concentração do pesticida metamidofós, de autoria do inventor e professor Romildo Gerônimo Ramos, do Instituto de Física da UFMT. O Diário tentou entrar em contato com a Secretaria de Administração do Estado (SAD), porém até o fechamento da edição não obteve retorno.

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL