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CIDADES
Sábado, 19 de Dezembro de 2009, 00h:53

OPERAÇÃO GAFANHOTO

Uemura é ouvido na Justiça e nega tudo

Empresário diz que não deve ninguém, que conhece pouco e manteve apenas relações comerciais com demais acusados e que não tem alto capital

ALECY ALVES
Da Reportagem
Por mais de cinco horas, o empresário Júlio Uemura, acusado de liderar uma quadrilha de estelionato para aplicar golpes no setor de hortifrutigranjeiro, prestou depoimento ontem à 15ª Vara Criminal de Cuiabá. A audiência para interrogá-lo foi adiada por pelo menos três vezes, em virtude do não comparecimento do acusado. Uemura responde processo por criar empresas “laranjas” e aplicar golpes em Mato Grosso e outros cinco estados, conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Num depoimento confuso, em alguns momentos, contraditório, mas, antes de tudo, bem-humorado, Uemura negou todas as acusações. Ao contrário do que apurou o Gaeco a partir da Operação Gafanhoto, deflagrada em março, das mais de 20 pessoas listadas como integrantes da organização, entre as quais vários policiais civis, Uemura disse que conhecia poucos. Os “laranjas”, pessoas cujos nomes seriam usados pelo empresário para abertura de empresas, são praticamente “desconhecidos” dele. Alegando a mesma coisa ele reagiu ao ouvir os nomes dos policiais que seriam seguranças responsáveis pelas cobranças truculentas dos credores. Sobre o caminhoneiro Valdomiro Fernandes da Silva, o “laranja” dono da Cewal, uma das empresas que aplicaram golpes, Uemura disse apenas que o conhecia porque comprava dele. “Vi ele umas duas ou três vezes”. Sobre Renê dos Santos Oliveira, suposto corretor do mercado de hortifrutigranjeiros e principal comparsa nos golpes, conforme apurou o Gaeco, Júlio Uemura disse que mantinha uma relação comercial. Questionado pelo promotor Arnaldo Justino por que comprava por intermédio de Renê e não diretamente com suas próprias empresas, o empresário respondeu que o corretor tinha acesso aos produtos em algumas regiões importantes do país. Uemura não admitiu, em nenhum momento, que René fosse seu “testa de ferro” nos golpes. Dessa maneira, contraria a confissão do corretor, que em agosto deste ano revelou com detalhes o esquema de aplicação de golpes financeiros milionários que teria rendido ao menos R$ 5 milhões a Uemura. Apesar de ter sido considerado o mentor de uma série de golpes contra empresários de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, Uemura disse que “não deve um centavo”. “Desafio alguém a comprovar dívida minha, sempre paguei tudo que compro”, declarou. Para o Gaeco, essa é uma estratégia dele para aparentar idoneidade. Uemura negou o uso do nome da sobrinha Eiko Uemura na Eikon Atacado de Alimentos. A jovem foi encontrada morta no Portão do Inferno, estrada de Chapada dos Guimarães. Segundo ele, a empresa era de Eiko e um sócio. Ao ser informado que na conta bancária de Eiko havia um saldo de R$ 551 mil, dinheiro sacado pouco antes da morte dela, Julio Uemura reagiu com surpresa. “Nem eu tenho esse dinheiro”, mas assegurou que não tem nada a ver com isso. O promotor Arnaldo Justino avaliou o depoimento do empresário como positivo. Conforme o representante do Ministério Público, Uemura entrou em contradição em vários momentos, entre os quais ao não explicar por que usava Renê como corretor quando podia comprar com suas própria empresas. E, ainda, por que um caminhoneiro, no caso Valdomiro, aparecia como dono de uma empresa, Cewal, que fazia grandes negócios com o grupo Uemura. Para dar celeridade ao andamento processual o juiz Arimatéia caracterizou a revelia do réu Valdomiro Silva, que não foi localizado. A defesa de Uemura pediu que as interceptações telefônicas colhidas durante as investigações sejam periciadas pela Politec, o que foi acatado pelo magistrado. Com o laudo, o processo entrará na fase final. A partir de 7 de janeiro, as partes terão três dias para pedir diligências pendentes. Arimatéia prevê que a sentença do caso sairá no primeiro semestre de 2010.

Edição EDIÇÃO 16962




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