CIDADES
Segunda-feira, 09 de Março de 2009, 20h:40
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PROSTITUIÇÃO
Turismo atraía gaúchas
Esquema de tráfico de mulheres aliciava com promessa de dinheiro fácil em MT durante festival de pesca
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Uma das mais famosas casas de prostituição da cidade, a boate Crystal Night Club, foi alvo ontem de uma operação da Polícia Federal (PF) que desmantelou um esquema de tráfico de mulheres. O dono, o gerente da casa e a aliciadora das meninas foram presos em flagrante. Até a noite de ontem eles eram identificados apenas como Wanderlei, Rosenil e Aline, respectivamente. Cerca de 60 garotas de programa foram levadas para depor na Superintendência da PF como vítimas de aliciamento. As garotas têm de 20 a 30 anos de idade e vêm de diversas partes do país. Denominada Cotrape, a operação da PF consistiu no cumprimento de dois mandados de prisão, sendo um em Cuiabá e outro numa residência de Porto Alegre (RS). Eles foram expedidos pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde funcionava o núcleo do esquema de aliciamento. A boate em Cuiabá era o principal destino das meninas aliciadas. Os presos foram levados para uma penitenciária na Capital. A PF monitorou as atividades da aliciadora por aproximadamente dois meses, de Porto Alegre a Cuiabá. Tudo partiu de uma denúncia de uma mãe gaúcha, preocupada com a pretensão da filha de vir para Mato Grosso se prostituir. Como não conseguia convencê-la do contrário, a mãe procurou a PF. As prisões aconteceram na manhã de ontem, quando a aliciadora, Aline, chegou à boate com oito garotas. De acordo com a delegada Diana Calazans Mann, que veio de Porto Alegre, as garotas foram convencidas a trabalhar em Cuiabá devido ao aumento da clientela que aconteceria no Estado durante o Festival de Pesca de Cáceres. Uma festa de 3 dias aconteceria na boate. A delegada acredita que muitas delas já tivessem trabalhado como prostitutas. Prostituição, em si, não é crime, esclarece a delegada. Porém, de acordo com o Código Penal, são crimes o tráfico de pessoas (com pena de 3 a 8 anos) e a manutenção de casa de prostituição, esta com pena prevista para até 5 anos. Porém, como a Crystal possui alvará da prefeitura para funcionar como boate, o estabelecimento não foi fechado. Localizado no bairro Bosque da Saúde, o local é conhecido pela sofisticação e clientela de alto poder aquisitivo. Segundo a polícia, as meninas moram no local em quartos com até três beliches. Conforme declarou o advogado Huendel Rolim Wender, em defesa do dono e do gerente da casa, as próprias garotas pagaram as viagens para Cuiabá. Ele alega que Wanderlei e Rosinei não possuem qualquer ligação com a aliciadora do Rio Grande do Sul. Já as meninas, conforme declara Wender, seriam apenas freqüentadoras do local e não morariam lá, mas numa pensão das proximidades. TRUCULÊNCIA Enquanto as garotas prestavam depoimento na PF, profissionais da imprensa foram tratados com truculência por agentes federais, que chegaram a ameaçar uma repórter de um site local. A câmera da profissional foi retida e as fotos foram apagadas por um policial do Rio Grande do Sul, que participou da operação.