CIDADES
Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010, 10h:17
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DENGUE MATA
Três bairros seguem como mais endêmicos
Pedra 90, Jardim Industriário e Santa Isabel reúnem mais registros na Capital, conforme boletim do município, e demonstram que zelo popular é mínimo
A dengue está seguindo a tendência de ataque nos bairros de Cuiabá demonstrada desde o ano passado. Pedra 90, Jardim Industriário e Santa Isabel continuam no topo da lista de regiões com mais casos da doença, segundo boletim divulgado ontem pela Saúde municipal (SMS). No Santa Isabel, terceiro bairro mais infectado até o momento, outra tendência perigosa continua sendo seguida pela população: a cultura de transformar espaços públicos em depósitos de lixo, um prato cheio para o Aedes aegypti, o mosquito da dengue. Nem as esquinas escapam. Por conta de comportamentos assim é que o cenário continua com números preocupantes e crescendo. Segundo notificações colhidas pelo município do dia 31 de janeiro a 6 de fevereiro, Cuiabá está com 1.318 casos confirmados da doença, 36,5% a mais que o número apontado no último boletim da SMS, que era de 836 (dados referentes ao período de 17 a 23 de janeiro). No quesito óbitos, a Capital até o momento investiga um caso. O Santa Isabel já confirmou 40 casos de dengue este ano, segundo a SMS. O primeiro lugar nas notificações é do Pedra 90, com 125 casos confirmados (um deles consiste em febre hemorrágica da dengue, uma das manifestações mais graves da doença). Em segundo lugar, aparece o Jardim Industriário, com 71 casos (um dos casos é de dengue com complicação). Nós cuidamos do nosso pedaço, mas vêm outros vizinhos e jogam lixo. Sempre é a vizinhança que arrebenta a pessoa. A gente fica com medo, né, porque tem criança em casa, protesta o morador Ildefonso Ananias da Costa, 39 anos. A fala do morador é similar à de muitos outros, que afirmam tomar todos os cuidados na própria casa e reclamam da falta de zelo dos vizinhos. Entretanto, em algumas casas, percebe-se que a população nem mesmo tem idéia do que deve fazer para se prevenir e fala do problema da dengue apenas apontando as falhas dos vizinhos; como se não tivesse parte da responsabilidade em combatê-lo. É o caso da moradora Kamila Rodrigues Viguini, de 18 anos. Enquanto falava com a reportagem sobre os problemas que o bairro enfrenta, atrás dela o jardim da casa mostrava-se repleto de materiais de construção acumulados, recebendo água da chuva, e de sacolas de lixo jogadas no chão, sem qualquer cuidado. A falta de zelo também pode estar motivando o aumento da dengue no Estado. Segundo boletim do governo, os primeiros dez dias de fevereiro significaram aumento de 3.457 nos casos, que agora somam 12.666.