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CIDADES
Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 21h:54

CASO ANA CAROLINA

Três acusados negam que tenham executado criança

Julgamento, que começou ontem de manhã, continuou durante a noite em Cuiabá

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Três dos seis acusados de participar do tiroteio no Dom Aquino que resultou na morte da menina Ana Carolina Nunes de Lima Silva, aos 2 anos de idade, em 2009, negaram participação no crime durante julgamento realizado ontem em Cuiabá. O crime aconteceu há pouco mais de dois anos e, além de uma morte, deixou cinco pessoas feridas. Cléverson Patrick Ferreira do Carmo (22), Adriano Pereira de Oliveira (29) e Ézio Rosa da Silva (21) foram julgados por homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e extorsão. O crime aconteceu no dia 28 de fevereiro de 2009. Seis homens em três motos passaram atirando na frente de um bar. Um dos tiros atingiu Ana Carolina, que estava no colo de um tio. A mãe dela estava a poucos metros. Outras cinco pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade. A criança morreu pouco depois de dar entrada no Pronto-Socorro de Cuiabá. O julgamento começou pela manhã. Entre as testemunhas, estão os pais de Ana Carolina, Roberto Lima e Franciely Nunes de Oliveira Silva. O depoimento dos réus foi realizado à tarde. Para o Ministério Público Estadual, os tiros foram disparados por causa de uma briga entre duas gangues e o alvo era uma casa onde estava acontecendo uma festa, mas os bandidos confundiram-se e atiraram nas pessoas que estavam no bar. Segundo denúncia do MP, os crimes acontecerem como uma tentativa de aterrorizar os moradores no aniversário de um dos chefes de uma quadrilha rival. O primeiro a dar depoimento foi Cléverson Patrick. Ele negou participação no crime e disse que sequer estava no local onde os tiros foram disparados. Ele disse também que não faz parte de gangue nenhuma. Em seguida, Adriano, conhecido como “Black”, prestou depoimento. Ele disse que não esteve no bar alvejado pelos bandidos e que estava em uma festa no momento do crime. O último a ser ouvido foi Ézio. Ele disse que estava em outro bar momentos antes do tiroteio e que Adilson Matheus Pereira de Oliveira, conhecido como “Nenê”, chegou ao local e pediu a ele que fosse ao bar onde estavam as vítimas. O réu admitiu que foi até lá pilotando uma moto e que ouviu os tiros, mas não soube explicar porque atendeu ao pedido de Nenê para ir até lá. O réu disse ainda que, depois dos disparos, ele voltou ao bar onde estava para deixar a moto e pegar seu carro, para, depois voltar para casa. Os três réus também negaram que foram, antes do crime, ao posto Santa Elisa, onde trabalhava o pai da vítima, como consta na denúncia. O Ministério Público Estadual sustenta a tese de que todos estão envolvidos no crime, sendo que Ézio pilotou uma das motos e Patrick, que estava na garupa, atirou. A outra moto, segundo o MPE, era pilotada por Black e Nenê, que efetuou os disparos. “Todos estão negando, procurando álibis para tentar encobrir os crimes. São tentativas de enganar o júri”, disse o promotor criminal João Augusto Gadelha. O advogado de Adriano, Reinaldo Josetti de Oliveira, informou que a tese da defesa é de negativa de autoria do crime por insuficiência de provas. “Esse é um julgamento pautado pela emoção. Nós entendemos a dor da família da vítima, mas não há provas suficientes para a condenação”. Mesmo assim, ele disse acreditar que os três réus serão condenados. A pena para o crime de extorsão é de um a seis anos de prisão. Para homicídio qualificado, varia entre 12 e 30 anos. Até o fechamento desta edição, a sentença dos réus ainda não havia sido anunciada.

Edição EDIÇÃO 16968




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