CIDADES
Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013, 20h:49
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ZERO-QUILÔMETRO
Travestis fazem própria segurança
Por falta de segurança, as travestis que trabalharam na área de prostituição do Zero-Quilômetro, em Várzea Grande, estão sendo obrigados a agir por conta própria para se defender dos assaltos e de outros atos de violência. Há cerca de duas semanas expulsaram dois ladrões que usavam motos para praticar assaltos no local. A denúncia é da presidente da Associação dos Travestis, Lilith Prado, que no final de semana foi assaltada e espancada por um grupo de quatro pessoas - dois homens e duas mulheres. De acordo com ela, há grupos agindo em assalto específicos contra travestis, sempre nas primeiras horas da manhã, entre 5 e 6 horas, no momento em que estão deixando o local. Há ladrões chegam tanto de carro como de moto. A ação é tão organizada, conta, que no dia em que as travestis derrubaram dois assaltantes e tomaram a moto deles, antes da chegada dos policiais outro grupo passou no local e resgatou a motocicleta. Os ladrões fugiram e em questão de minutos os comparsas deles estavam lá, atrás da moto, relata. Na manhã deste sábado, 23, Lilith foi espancada e teve a peruca arrancada da cabeça e roubada pelas duas mulheres e dois homens que atacaram. Ela acha que foi golpeada com a barra de ferro para entregar a bolsa. Eu estava caída quando ouvi uma das mulheres dizendo que uma peruca loira como a que eu usava valia dinheiro, recorda. O problema, diz, é que a maioria das travestis não apresenta queixa policial, provavelmente para não ter que passar hora da delegacia ou de enfrentar situações constrangedoras. Ontem, conta, conversou com policiais do serviço de inteligência, para os quais relatou o assalto com espancamento e reclamou da falta de segurança na região do Zero Quilômetro. Lilith já passou por exame de corpo de delito no IML e está sendo assistida pelo Centro de Referência em Direito Humanos, órgão da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). Entretanto, como sofreu lesões no rosto, braços e costa, está em repouso em casa e deve requerer licença remunerada do trabalho, já que contribui para o INSS na condição de autônoma.