CIDADES
Sábado, 31 de Maio de 2008, 14h:17
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LIXEIRA
Travessia arriscada
São inúmeras as vítimas de atropelamento na avenida em frente ao ginásio, onde velocímetro é desenfreado
ALECY ALVES
Da Reportagem
A travessia do trecho da avenida Dante Martins de Oliveira (antiga João Gomes Sobrinho), entre as ruas São Luiz e São Benedito, no bairro Lixeira, tornou-se um tormento na vida dos moradores desse e de bairros vizinhos, especialmente daqueles que têm filhos em creches e escolas próximas. Numa extensão de pouco mais de 200 metros, tendo como ponto crucial a frente do ginásio da Lixeira, os moradores contabilizam diversos acidentes com mortes e feridos graves. O mais recente aconteceu semana passada e teve como vítima a aposentada Maria Catarina Leite Filha, de 65 anos, atropelada quando retornava da escola com os netos. Dona Maria Catarina foi atropelada por uma moto, sofreu fratura no braço e ferimentos graves na cabeça. Ela permanece internada no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, onde, nos próximos dias, deverá ser submetida a uma cirurgia ortopédica. Marcos Noconedes Pereira, 65 anos, perdeu a mulher, Maria Ceríaca de Queiroz, de 65 anos, quando atravessam esse trecho da avenida. Os dois sofreram lesões graves, mas dona Maria Ceríaca não resistiu aos ferimentos e morreu depois de cinco dias de internação em uma unidade de terapia intensiva. Quase todos os moradores das proximidades têm uma história trágica sobre a avenida para contar, porque testemunharam ou socorreram alguma vítima. Morador do bairro Areão, vizinho ao local, José Luiz Pereira disse que se lembrou de dois casos fatais. Dona Otília, que morava na rua São Luiz, foi atropelada por um ônibus muitos anos atrás. Depois do acidente, ela passou quase um ano sofrendo em cima de uma cama até morrer, relatou. O outro caso que lembro era de dona Isabel, que também morava aqui perto, atropelada e morta na descida perto da esquina da rua São Benedito, contou. Luciana Cássia de Oliveira, moradora do bairro Lixeira que socorreu dona Maria Catarina, lembrou que, no ano passado, uma criança morreu atropelada quando retornava da escola. O acidente aconteceu praticamente no mesmo local, recordou. Na avaliação de Luciana, o excesso de velocidade dos veículos e a falta de sinalização da pista seriam as causas dos atropelamentos. Ela disse que é desesperador assistir a travessia dos alunos da Escola Municipal Henrique da Silva Prado, quando estão indo ou retorno da aula. Um fica tentando proteger o outro tentando fazer a travessia se segurando pelas mãos, enquanto os carros, motos e ônibus descem alta velocidade, descreveu. A lombada construída há mais de 10 anos na frente do ginásio da Lixeira, segundo ela, não resolve mais o problema. Além de mal sinalizada, está desgastada e permite que os motoqueiros passem pelo vão entre o meio fio e a própria lombada. Para Luciana, aquele ponto necessita de faixa de pedestre, outros modelos de redutores de velocidade e sinalização especial de alerta sobre a travessia de estudantes. O diretor de Trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte, Dativo Rodrigues da Silva, disse que a secretaria desconhecia a gravidade do tráfego nesse ponto. Ele assumiu o compromisso de enviar técnicos do órgão no local esta semana para providenciar as adequações.