Os trabalhadores que têm renda mensal de um salário mínimo R$ 622 e precisam se deslocar diariamente entre Poxoréu e Rondonópolis pela MT-130 terão pelo menos 46% de seus subsídios consumidos pelo pedágio implantado na rodovia. A tarifa de R$ 6,50 para carros de passeio passou a ser cobrada desde o último dia 15 e já se tornou motivo de polêmica. Isso porque boa parte da população trabalha ou estuda na cidade vizinha, distante 80 quilômetros. Ainda neste mês, quem fizer o trajeto até Primavera do Leste a 45 quilômetros de Poxoréu terá o mesmo gasto. Outra praça de pedágio deve começar a funcionar já na primeira quinzena de novembro. Membro do Conselho Municipal de Saúde e presidente do Sindicato dos Servidores da Educação (Sintep) em Poxoréu, Maria Auxiliadora da Silva e Silva afirma que o custo para passar duas vezes pelo pedágio é semelhante ao das tarifas dos ônibus que interligam os municípios: R$ 10 até Primavera do Leste e R$ 15 até Rondonópolis. Tem médicos que fazem plantão em Rondonópolis, sem contar às pessoas que trabalham na prefeitura de Primavera do Leste. Nem vai mais compensar ter um carro. O ônibus sai mais barato, avalia. Coordenador de Programas Especiais da Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana, Cezar Ribas argumenta que audiências públicas foram realizadas antes da implantação dos pedágios. Quase ninguém apareceu. Nós até previmos este problema, mas, entre os que foram, ninguém questionou isso, diz. Outra cidade que enfrenta dificuldades com pedágios é Nova Mutum. A praça de cobranças da MT-235 está entre o município e o aeroporto. A tarifa é de R$ 4,70. Ribas afirma que estudos para trocá-la de local já estão sendo realizados. O aeroporto foi implantado ao mesmo tempo que a concessão da rodovia foi feita. Na época alertamos para isso, mas a associação responsável achou que aquele era o melhor lugar, justifica. Ontem, o deputado estadual Sebastião Rezende apresentou na Assembleia Legislativa um requerimento pedindo a realização de audiências públicas para debater um valor diferenciado aos moradores das cidades afetadas.