CIDADES
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007, 21h:11
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PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Tombamento salva Porto da destruição
Moradores já foram notificados da medida de proteção; instaurado o tombamento, começa o projeto de revitalização dos telhados e fachadas
A Secretaria Estadual de Cultura (SEC) antecipou o tombamento do bairro do Porto, um dos mais importantes na história da cidade e que será o primeiro a tornar-se patrimônio histórico na Capital. Os proprietários do conjunto arquitetônico, formado por cerca de 60 residências que serão tombadas, já foram notificados e têm até o dia 31 para recorrer, caso não concordem com a decisão. Quem circula pelo bairro, que em muitos pontos passa um aspecto de abandono, não imagina que ali já foi uma área nobre. Coronéis, fazendeiros e cidadãos de renome habitaram a região no século passado. Foram às margens do rio Cuiabá que possibilitaram o desenvolvimento da cidade. Era só por meio das águas do afluente que chegavam as embarcações de São Paulo e do Pará com mantimentos e viajantes. Outro atrativo no entorno do rio era a fartura de peixes, o que fez com que vários pescadores também se instalassem nos barrancos. As primeiras ocupações no Porto datam do período de 1700, época na qual o vilarejo era conhecido como Distrito Pedro II. Em 1826, o Porto abrigava o único armazém que abastecia Cuiabá. O viajante Luiz D´Alincourt, que esteve aqui em 1825, registrou que o local era simpático e pitoresco, de acordo com documentos da SEC. O tempo passou e muita coisa mudou na região. O assoreamento do rio passou a impedir a chegada de grandes embarcações. Com o crescimento da cidade, as construções antigas passaram a ser demolidas, para valorização dos imóveis. O tombamento é para evitar a destruição total do que restou da memória do que o Porto já foi um dia. Hoje, relacionado a prostíbulos e a bocas-de-fumo, o bairro perdeu o prestígio e a popularidade do passado. Acabaram os navios. Acabaram as conversas na rua. Mudou tudo, lamentou a moradora Carminda Alves de Abreu, que vive lá desde 1930. Com 87 anos, ela relatou que o que restou foram apenas lembranças. Era tranqüilo demais. A gente ficava com as portas abertas até tarde da noite, conversando, contando casos, disse. Casas que já foram luxuosas em outros tempos, hoje começam até mesmo a desmoronar com a falta de manutenção. Com o tombamento, que deverá ser concluído em menos de 30 dias se não houver contestação, será iniciado um projeto de revitalização dos telhados e fachadas. No total, 16.720 metros quadrados passarão a ser protegidos. Somada ao entorno, que também recebe atenção especial, a área é de 45 mil metros quadrados. Becos, travessas e casas se tornarão patrimônio histórico, do trecho da avenida 13 de Junho com a Mário Corrêa até a altura do cruzamento com a rua Feliciano Galdino com o beco do Ferrinho. O tombamento impede que sejam feitas mudanças nos imóveis e nas imediações que descaracterizem seus traços originais. Os proprietários são impedidos de mexer nas residências sem autorização da SEC. Apesar da inconveniência com a perda da autonomia, os donos ganham com a valorização do imóvel.