A Polícia Federal, em ação conjunta com órgãos de fiscalização e de segurança pública, realizou durante três dias trabalhos de repressão a crimes ambientais e à ordem econômica na Terra Indígena (TI) Sararé, localizada na região Oeste de Mato Grosso, em área de fronteira, próxima à Bolívia, nos municípios de Vila Bela da Santíssima Trindade, Conquista D'Oeste e Nova Lacerda.
Com 67 mil hectares, a TI é lar do povo Nambikwara, mas vêm sendo destruída pela exploração ilegal de ouro. Por lá, a situação teria se agravado com “milhares de garimpeiros usurpando matéria-prima da União”.
De acordo com informações da PF, a ação visou combater a extração ilegal de ouro e a desintrusão de áreas atingidas pelos garimpeiros, além de inutilizar instrumentos e maquinários empregados na atividade de garimpagem ilegal.
Durante as ações de repressão foram inutilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sete escavadeiras hidráulicas, um trator, um caminhão e diversos motores estacionários e geradores de energia. Além da inutilização de instrumentos do crime, foram ainda apreendidas armas de fogo e munições e munições de diversos calibres.
Conforme a PF, a operação deriva de solicitação encaminhada pelo Ibama informando o agravamento da situação nos garimpos na TI Sararé. “Milhares de garimpeiros estariam usurpando matéria-prima da União por meio da extração ilegal de ouro, sendo ainda registrados outros crimes na região”, informou a polícia por meio de nota. O número exato de garimpeiros não foi divulgado.
As atividades garimpeiras ameaçam não apenas a integridade do meio ambiente, mas também a saúde e os modos de vida das comunidades indígenas locais. As escavações indiscriminadas provocam desmatamento, poluição dos rios e degradação do solo, o que afeta diretamente o abastecimento de água e a biodiversidade local.
Agora, caberá à Polícia Federal identificar os proprietários dos maquinários, visando esclarecer a participação nos crimes reprimidos. Os suspeitos poderão responder na esfera penal e administrativa pelos atos praticados.
PROBLEMA ANTIGO – Conforme informação da Fundação dos Povos Indígenas, divulgadas em setembro do ano passado, por ocasião da operação “Xapiri Onipresente”, a presença de garimpos de ouro na região é antiga e abrange territórios indígenas, áreas do entorno e áreas de exploração mineral legalizadas, sendo que desde a década de 1990 a TI Sararé é alvo de atividades garimpeiras.
Naquela época chegou a ser reportada a presença de três mil garimpeiros atuando na área, em diversas frentes de extração de ouro. Tais frentes de garimpo foram desativadas no início dos anos 2000.
Após, durante alguns meses foram mantidas barreiras que impediram o retorno dos infratores, até que cessassem as tentativas de reincidência na área. Mas, com o fim das barreiras, as invasões voltaram a ocorrer, o que exigiu a retomada das ações de fiscalização, resultando em diversas apreensões e identificação de envolvidos.




