CIDADES
Segunda-feira, 04 de Novembro de 2013, 20h:07
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ALTO CUSTO
TCU manda investigar perda de remédios
O Tribunal entendeu que a culpa dos medicamentos vencidos não é apenas da OSS e por isso optou por revogar a suspensão do pagamento a ela
GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Ministério da Saúde (MS) investigue as perdas de medicamentos adquiridos com recursos federais pelo governo de Mato Grosso. O tribunal estipulou um prazo de 120 dias para que o ministério cumpra a decisão e apresente um relatório com os encaminhamentos. O processo votado no último dia 30 de outubro teve como base o relatório realizado pela unidade técnica do TCU de Mato Grosso. A representação estava em trâmite no tribunal desde junho, um mês após o escândalo dos medicamentos vencidos da Central Estadual de Abastecimento de Insumos de Saúde (CEADIS), gerida pela Organização Social de Saúde (OSS), Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (Ipas). De acordo com o relator do processo, o ministro Raimundo Carreiro, como o recurso veio do governo federal, o próprio governo também tem que participar das investigações, através do MS. O Ministério da Saúde é o órgão de origem dos recursos despendidos na compra dos medicamentos em questão, direta ou indiretamente; tendo em vista que as apurações deverão ocorrer nas esferas federal e estadual e em face dos elementos adicionais que deverão ser incorporados pelo próprio Ministério, caso a caso para as apurações de responsabilidades pertinentes, entendo que, nesse momento, cabe ao Ministério da Saúde aferir a conformidade da situação ora apontada, afirmou o ministro no voto. Na mesma decisão, o Tribunal entendeu que a culpa dos medicamentos vencidos não pertence apenas a OSS e por isso optou por revogar a medida cautelar que suspendia o pagamento de R$ 195.101,29, da Secretaria de Estado e Saúde (SES) ao IPAS. Elementos juntados aos autos apontam na direção de um rol extenso de responsabilidades pelas perdas verificadas, afastando, em princípio, a tese de culpa exclusiva do Ipas, cuja responsabilidade no bojo do contrato de terceirização está sendo apurada pelo Governo do Estado do Mato Grosso. HISTÓRICO Em maio, uma denúncia apontou centenas de caixas, na Farmácia de Alto Custo com medicamentos que deveriam ter sido consumidos em 2012 e início de 2013. O lote intacto continha caixas com os remédios destinados para o tratamento de pacientes com câncer, Aids, problemas neurológicos e outras doenças graves. Após a denúncia, um relatório da Auditoria Geral do Estado (AGE) apontou que aproximadamente R$ 3 milhões foram perdidos com insumos e medicamentos vencidos. As perdas de medicamentos identificadas no período de novembro de 2012 a abril de2013 alcançaram R$ 1.328.774,74. Deste montante, R$ 646.652,48 vieram por meio de recursos federais. O Estado então suspendeu o pagamento do IPAS e a SES acatou uma recomendação da AGE e realizou uma intervenção no Ceadis, por 180 dias, para garantir a continuidade da prestação do serviço enquanto realizasse as investigações.