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CIDADES
Sábado, 03 de Agosto de 2013, 14h:45

CONSUMIDOR

Taxistas na mira

Motoristas que receberão dos turistas no mundial são vistos pelos clientes como mal-educados e imprudentes

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Faltam menos de 10 meses para a Copa do Mundo de 2014 e os usuários da Grande Cuiabá reclamam da precariedade do atendimento dos taxistas. Lamentam principalmente o atraso nas corridas, as atitudes grosseiras, os carros velhos e, também, a falta de higiene nos veículos. Para os turistas que vierem para a Copa, um problema adicional: quase ninguém fala uma segunda língua. O empresário Jonas Almeida, de 47 anos, contou que se assustou ao chegar a Capital pela primeira vez. Segundo ele, o motorista que o recebeu estava visivelmente embriagado e inclusive chegou a confirmar que havia bebido umas ‘duas latinhas’ de cerveja. De acordo com o empresário, em apenas uma final de semana que passou na Grande Cuiabá a negócios, teve diversos constrangimentos com o serviço. “Eu tinha uma reunião marcada, com um potencial cliente, e o taxista atrasou 45 minutos para me buscar, conclusão nem fechar o negócio eu consegui”, relatou. Nely Maria é aposentada, de 65 anos, ela conta que mensalmente passa pelo mesmo problema. Toda vez que vai fazer compra tem que ficar atenta, pois os profissionais querem fazer a corrida, mas cobrar um valor fechado e não de acordo com o taxímetro, como manda a legislação. “Eles ainda se irritam se pedimos para ligarem o aparelho”, desabafou. A falta de treinamento dos profissionais também foi lembrada pelos entrevistados em quase todas as ocasiões. Os profissionais chegam a brigar no trânsito durante as corridas. O comerciante Gilson Gomes Ferraz, de 27 anos, falou que em uma ocasião pediu para que a corrida fosse interrompida e ele e a noiva descessem do automóvel. “Se acredita que enquanto estávamos no carro ele ficava mexendo com as mulheres na rua? Ele ainda se referia a elas com palavras de baixo calão e de cunho pornográfico mesmo com a presença da minha noiva grávida.” “Na última semana, outro taxista começou a brigar com um motorista enquanto me levava até o aeroporto. Eu nunca pensei que fosse dizer isto, mas em Cuiabá é preferível pegar um ônibus a depender deles”, completou. A professora Leila Marine, de 39 anos, afirmou que diversas vezes teve o pedido de corrida negado pelos motoristas. Segundo ela, como mora relativamente perto do local de trabalho, os taxistas não querem fazer a viagem. “Só porque vai custar uns R$ 8 ou R$ 10. Quer dizer que eu não posso usar o serviço? Já cheguei a pedir para três motoristas diferentes e nenhum quis me levar.” A professora também reclama da limpeza dos automóveis e dos profissionais. “Cada dia é uma surpresa pior. Já entrei em um carro que parecia um chiqueiro, outra vez tive que pedir para o motorista desligar o ar, em pleno horário de almoço, porque a ar do carro estava irrespirável”. TAXISTAS – De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas, Antônio Bodnar, a principal reclamação dos passageiros é a demora na hora de buscar os clientes. Ele afirmou que este problema passou a acontecer após o início das obras da Copa do Mundo de 2014. “Apesar disto, o número de chamadas até aumentou. Algumas pessoas preferem chamar os táxis porque nós sabemos andar por entre os bairros e fugir dos engarrafamentos causados pelos desvios”. Bodnar disse ainda que as reclamações não refletem a realidade da categoria e que infelizmente alguns profissionais ainda não têm a consciência necessária. Ele afirmou que Cuiabá tem 604 e aproximadamente 930 trabalhadores na atividade. Desde 2011 a lei federal nº 12.468, que regulamenta a profissão, exige que os taxistas façam 50 horas de curso para poder atuar. Ele assegurou que na Capital os profissionais têm realizado 200 horas/aula e isto tem profissionalizado a conduta da categoria. Ele reiterou que os taxistas têm a obrigação de utilizar o taxímetro e que a população deve procurar a Secretaria Municipal dos Transportes Urbanos (SMTU) para denunciar má conduta.

Edição EDIÇÃO 16962




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