CIDADES
Sábado, 19 de Junho de 2010, 13h:40
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LEITO HOSPITALAR
Tal qual ao SUS, usuário padece no privado
Pacientes peregrinam por hospitais de Cuiabá e Várzea Grande em busca de vagas hospitalares. Setor diz que elas não faltam, mas admitem a saturação
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Um dos problemas enfrentados pela população que recorre ao Sistema Único de Saúde (SUS) é a falta de leitos públicos em hospitais. Isso faz com que muitos procurem a rede privada. Mas, apesar dos custos dos planos de saúde, nos momentos em que os conveniados necessitam de atendimento, muitos estão tendo que esperar horas ou dias para conseguir tratamento médico ou internação nos hospitais particulares da Grande Cuiabá. Na rede são aproximadamente 60 mil pessoas internadas por mês. É o que aconteceu com o pai do agente de viagem Ricardo Aidamus Arruda, há duas semanas. Meus pais são de Poconé, onde os hospitais são como base, porque não têm estrutura nenhuma e a população tem que recorrer a Cuiabá. Meu pai teve uma urgência por conta de uma alteração cardíaca e ligamos para vários hospitais, mas em todos havia lista de espera para UTIs (unidade de tratamento intensivo) e até para apartamentos, disse. Ricardo Arruda disse que seu pai, Urbano José de Arruda, 67 anos, possui convênio médico e declarou que só conseguiu uma vaga na UTI em um hospital privado da Capital por possuir um parente que trabalha na área. Meu pai tem plano de saúde, mas fico me perguntando e quem não tem? Isso aconteceu numa quinta-feira e tinha muita gente aguardando apartamento, contou. É uma briga, uma agonia, a gente via o desespero das pessoas que precisavam ser internadas e não conseguiam um leito, acrescentou. O caso do aposentado não é isolado. Minha mãe estava internada no hospital em Cáceres e precisava fazer exames em Cuiabá. O médico de lá ficava ligando para os hospitais daqui e não encontrava vaga, estava tudo lotado, relatou a filha de uma paciente da rede privada, que preferiu não se identificar. A paciente de 75 anos estava internada com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC). O médico ficou um dia e meio procurando a vaga, mas acabou dando alta. Minha mãe teve que vir de carro para Cuiabá e, só depois que ela conseguiu tudo, contou. Atualmente, nove hospitais privados funcionam na Capital e em Várzea Grande. Embora prefira dizer que não faltam vagas nos hospitais privados, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Mato Grosso (Sindessmat) e do Hospital Santa Rosa, José Ricardo de Mello, frisou que a rede está lotada. A rede está saturada, reconheceu. Isso ocorre especialmente de segunda-feira à quinta-feira, dias em que geralmente são realizadas mais cirurgias. Segundo ele, são pelo menos duas mil pessoas sendo internadas diariamente na rede da Capital e de Várzea Grande. Mello observou ainda que essa situação é extensiva a todo o país. Hoje, a manutenção e o funcionamento das unidades de saúde é muito difícil, disse exemplificando que para cada leito instalado abrem-se quatro frentes de trabalho (médicos, enfermeiros, por exemplo). Um hospital com 150 leitos tem no mínimo 600 funcionários e um custo fixo de mais de cinco milhões (de reais) ao mês, acrescentou.