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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 20 de Março de 2009, 21h:08

PRAÇA DA DISCÓRDIA

SMTU media impasse na Praça Popular

Comerciantes puxam a brasa para sua sardinha preferindo interditar a praça; já os moradores querem que as ruas fiquem livres, como antigamente

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
A Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) programa para este terça-feira uma reunião que interessa a moradores, freqüentadores e donos de estabelecimentos comerciais da Praça Eurico Gaspar Dutra, a Praça Popular. O assunto é a interdição – que ocorre a partir das 18h diariamente – de duas ruas paralelas da praça mais procurada da noite cuiabana. Com cones, placas e cavaletes, o fechamento das ruas tem incomodado os comerciantes pela desorganização. A medida foi adotada em caráter experimental pela Diretoria de Planejamento da SMTU no ano passado, fruto de acordo com os estabelecimentos comerciais. Inicialmente, o problema a ser resolvido era o trancamento do trânsito no entorno da Praça. Agora, o trânsito flui no local, outrora ocupado por residências e atualmente dominado por bares e restaurantes. Por outro lado, a interdição das duas ruas paralelas trouxe incômodos para os comerciantes, como o acúmulo de lixo, a presença constante de flanelinhas e a movimentação prejudicada. Ou desigual, como diz a empresária Sônia Bittencourt. Localizado no meio de uma das ruas interditadas, o estabelecimento de Sônia perde público para os concorrentes que, localizados nas esquinas, privilegiam-se com o fluxo de veículos. “Para nós, a interdição foi horrível, os bares das esquinas ficam lotados, mas de segunda a sexta acabou para nós. Sexta e sábado bomba só porque bomba para todo mundo, mas nosso movimento baixou em cerca de 80%. Você sabe que o povo quer é ser visto e o fechamento das ruas acaba com isso para quem está localizado como nós”, explica a empresária. Ela pensa até mesmo em vender o ponto, pois os prejuízos não têm compensado o investimento. Antes disso, porém, Sônia ainda deve tentar organizar um abaixo-assinado com os demais comerciantes para solicitar mudanças em relação ao trânsito da região, pois “todo mundo sentiu”. Comercialmente, o panorama da Praça Popular se desequilibrou também para quem não está localizado exatamente numa rua interditada. “Na verdade, o fechamento beneficia a uns três empresários e prejudica dez. Mesmo aqueles localizados nas ruas interditadas aproveitam, colocando uma porção de mesas no meio da rua e faturando com isso. Aí, a bagunça aumenta e o lixo também. O cara come um frango a passarinho e joga o osso na rua. Eu, que abro o restaurante já de dia, fico com o resto da noite anterior”, relata o empresário Buzaid Fares, apontando a deficiência na coleta de lixo da região. Para o gerente Marcel Salomão Guimarães, seu estabelecimento saiu no prejuízo devido à presença constante de flanelinhas. Eles ocuparam a rua na frente de sua loja e estão cobrando R$ 5 pelo estacionamento de veículos no local. “Sou até a favor da interdição das ruas, mas o que falta é organização. Não tem ninguém controlando o fechamento, não tem policiamento e o pessoal coloca os cavaletes pra fechar as ruas quando bem entende”, resume. De acordo com o diretor de planejamento da SMTU, Rafael Detoni, a fiscalização persistiu na região durante o início das interdições. Hoje, com a volta às aulas e outras demandas, os agentes têm de se deslocar para outros pontos da cidade. Em relação às mesas, ele explica que a própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano permitiu sua colocação nas ruas. Na reunião desta terça-feira, Detoni pretende avaliar a situação sob a ótica dos estabelecimentos comerciais, moradores e da segurança pública, tendo convidado a participação da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Edição EDIÇÃO 16964




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