Um brigadista para cada mil hectares de longe não é média ideal para manter em segurança o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, que ficou mais uma vez ameaçado na última semana por uma grande queimada. Responsável pelas 33 mil hectares do parque, o Instituto Chico Mendes (ICMBio) colocou em combate contra as chamas 40 pessoas, entre brigadistas e servidores, durante quatro dias na região do Morro Quebra Gamela, localizado a um quilômetro de distância da área oficial do Parque. O fogo só foi contido na noite do último domingo. Incêndios no entorno do parque têm sido uma preocupação constante para o Instituto. Nos seis primeiros meses deste ano já foram devastadas 800 hectares de áreas próximas, um crescimento três vezes superior à devastação registrada durante o ano inteiro de 2009, quando 292 hectares viraram cinzas. Só dentro do Parque o fogo já destruiu até junho dado mais atual do instituto - 11 hectares. Criado há mais de 20 anos para proteger fauna e flora únicas, o Parque Nacional de Chapada a todo tempo sofre em decorrência de problemas ligados à própria geografia. O relevo do parque é todo recortado por uma rodovia e chácaras, melhor situação teria se a área fosse contínua. Com o avanço da ocupação humana facilitada pela presença da Rodovia Emanuel Pinheiro, que faz a ligação de Cuiabá à cidade de mesmo nome do parque, o ICMBio estima que da região do rio Mutuca até a Salgadeira existam 30 chácaras instaladas. O descaso ambiental em atear fogo em restos de folhas nessas propriedades tem sido a gênese de muitos incêndios na região protegida. Para o chefe do Parque, Cecílio Vilabarde Pinheiro, é o homem que provoca a maioria dos incêndios. São as pessoas que provocam esses focos de incêndio. Nas trilhas para motoqueiros, às margens da rodovia e em locais em que muitos realizam macumba, são os mais preocupantes, aponta Pinheiro. (DM)