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CIDADES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2010, 20h:35

CONTÁGIO

Sinop vive um surto de catapora

KATIANA PEREIRA
Da Reportagem/Sinop
Sinop teve um aumento de mais de 70% nos casos de varicela, a catapora, nos últimos três meses. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que em julho foram registrados 51 casos da doença, em agosto, 177, e em setembro, 226. De janeiro até o final de setembro 495 casos foram contabilizados. A varicela é uma doença benigna, mas altamente contagiosa, que ocorre principalmente em pessoas menores de 15 anos de idade. Os sintomas são a formação de crostas que são pequenas feridas por todo o corpo, em três a quatro dias. Também, pode ocorrer febre moderada. Segundo o médico infectologista, Ricardo Franco Pereira, o número de contágio em Sinop pode ser maior do que o registrado. “Infelizmente, muitos profissionais da saúde não preenchem a fixa de notificação. Fazem o diagnóstico, medicam, encaminham os doentes para casa, geralmente crianças, para fazer o repouso”, informou o médico, que responde pelo Serviço de Atendimento Especializado. O infectologista revela que essa prática inadequada, além de não mostrar o real número de pessoas contaminadas, faz com que a doença se alastre. “Catapora é altamente contagiosa. Se diagnosticada, a pessoa tem que ficar em isolamento. Quem chegar perto, tem muita chance de ser contaminado. A criança vai para a escola, brinca com os amigos, tem as atividades de socialização. Acaba fazendo uma rede de contágio”, disse. A rede é estendida por um longo período de contágio. A pessoa já transmite o vírus no período de incubação que dura entre 14 a 16 dias. Continuando depois da erupção até cinco dias após o surgimento do primeiro grupo de vesículas. Sobre os motivos do aumento dos casos, o médico contou que pode estar relacionado às mudanças climáticas. “Geralmente os casos aumentam quando o clima está muito seco. Existe também a explosão de contaminação. Passa uma fase que muitas pessoas foram contaminadas e fica um período com menos infestação. Até surgir outro grupo imune”, revela Ricardo. A vacina contra catapora não faz parte do Calendário Nacional de Imunização. Ela é uma vacina imunobiológica especial e está disponível para indicações específicas. Uma pessoa que é imunodeprimida, por exemplo, pode receber a vacina. Como a vacina contra a catapora não é oferecida a qualquer pessoa na rede pública de saúde, cabe à população que quer se imunizar recorrer à rede particular. Porém a vacina está escassa e os preços praticados estão em alta. Em Sinop não há vacinas disponíveis, caso houvesse o preço cobrado seria de R$ 180 por dose. A orientação dada pela Secretaria de Saúde às escolas e à comunidade é de que, quando verificados mais de um caso em uma mesma classe, a partir da suspeita da catapora, os pais devem procurar o médico. Confirmado o contágio pela varicela o doente deve ficar isolado por, pelo menos, sete dias.

Edição EDIÇÃO 16960




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