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CIDADES
Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008, 20h:12

PORTÃO DO INFERNO

Sinfra estuda rede de proteção no bloco sobre rodovia

ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
Depois da divulgação do laudo assinado por um engenheiro civil de Minas Gerais aprovando a trafegabilidade do viaduto do Portão do Inferno, o secretário de Infra-estrutura, Vilceu Marchetti, anunciou ontem que já iniciou reparos na rodovia Emanuel Pinheiro, a MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães. Homens da Sinfra já estão na estrada trabalhando com recapeamento com lama asfáltica e sinalização horizontal e vertical. No entanto, a Secretaria ainda estuda a melhor maneira para a implantação de uma rede de proteção no bloco de arenito rochoso superior do viaduto. A recomendação foi feita pelo engenheiro civil Carlos Eduardo Sales Alves Filho, que constatou risco de eventuais blocos se soltarem do paredão. O engenheiro também concluiu “que as condições estruturais do viaduto podem ser consideradas excelentes, inexistindo trincas, nem fissuras ou brocas no concreto, nem abatimentos”, como consta do relatório preliminar. Também afirma que “os pegões de encabeçamento encontram-se devidamente ‘engastados e entranhados’ no maciço rochoso de arenito”. Segundo ele, “a rocha está praticamente sã e com acamamento muito horizontal”. A discussão sobre os riscos de desabamento das rochas foi reacendida depois do acidente com o grupo de turistas evangélicos em abril deste ano, que acabou matando uma adolescente de 16 anos na cachoeira Véu de Noiva. Em uma pesquisa publicada em setembro de 2007, o geólogo Prudêncio Rodrigues, professor da UFMT e estudioso das escarpas de Chapada, apontou riscos de desabamentos dos paredões, principalmente na região do Portão do Inferno, por estarem muito próximos da estrada. Depois de seus estudos, Prudêncio concluiu que a vibração mais intensa na ponte pode acelerar o processo de deslocamento dos blocos de arenito. Em julho do ano passado, uma grande lasca de arenito rochoso do canyon veio a baixo, a menos de 50 metros do viaduto. O bloco de arenito que fica bem embaixo do viaduto já apresenta sinais aparentes de esfarelamento. Com o simples toque de mão, a rocha se torna areia. O mesmo acontece com os blocos que estão na parte superior do viaduto, que, além de sofrerem o processo natural de erosão, também sofreram impactos causados por acidentes.

Edição EDIÇÃO 16967




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