CIDADES
Sábado, 05 de Dezembro de 2015, 13h:06
A
A
Sindicato diz que recorreu de decisão
A presidente do Sinetran, Daiane Renner, diz que a entidade ingressou com recurso contra a cobrança de multa e o bloqueio das contas. Segundo ela, nenhuma ação de condenação pecuniária decorrente de greve chegou ao final, ou seja, julgamento do mérito e condenação. No caso da greve em curso, a expectativa dos trabalhadores é de que haja entendimento, que as reivindicações sejam atendidas e que assim possam retornar ao trabalho. Já a presidente do Sindimed, Eliana Siqueira, diz que os médicos podem retomar a greve a qualquer momento, pois a prefeitura continua sem cumprir itens de acordos firmados sobre questões financeiras e de serviços. Como exemplo ela citou um de 2009, que previa a realização do mutirão de especialidades. Este mês, diz, os trabalhadores estão contestando o não pagamento de horas extas. Segundo ela, o município excluiu duas horas diárias que todos os médicos plantonistas fazem além da carga definida. Entretanto, Eliana reconhece que a imposição de multas com valores elevados pode intimidar e desmobilizar os movimentos grevistas. Como exemplo, ela citou a estabelecida pela Justiça na última greve deste ano, a pedido da Prefeitura. Ela nos condenou ao pagamento de R$ 20 mil por hora não trabalhada, o que resultaria em R$ 420 mil ao dia. Impagável, completa. Ela observa que isso fez os médicos recuarem momentaneamente, mas a categoria continua tentando negociar, fazer acordo. Além disso, requereu judicialmente o cumprimento de direitos. DÍVIDA NEGOCIADA Diego Dorigatti, procurador do Estado, diz que é comum que a anulação da multa seja negociada e sua cobrança extinta ao final de uma grave. Ele explica que isso acontece porque não há interesse de se arrecadar, mas de reestabelecer o mais rápido possível um serviço público cuja interrupção gera danos aos cidadãos. O Governo não quer trocar o serviço pelo dinheiro da multa, afirma. De acordo com Dorigatti, solicitar a aplicação de valores altíssimos, como no caso do Detran, de R$ 200 mil ao dia, e ajuizar o corte de pontos e o bloqueio das contas do sindicato, é uma maneira de pressionar, desmobilizar e constranger aqueles que estão em greve, fazendo com que voltem ao trabalho. (AA)