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CIDADES
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007, 19h:46

OPERAÇÃO ÁRTEMIS

Sete são indiciados ao fim do inquérito

Além de Beatriz Árias e de servidores da segunda vara criminal, a Polícia Civil ainda acusou formalmente dois advogados

ALINE CHAGAS
Da Reportagem
A Polícia Civil encerrou ontem o inquérito que apurou o esquema de corrupção na 2ª Vara Criminal de Cuiabá, onde funciona a Vara de Execuções Penais. A ex-escrevente Beatriz Árias, a escrivã Vera Lúcia Anunciação, a escrivã licenciada Maria Dias da Conceição, os estagiários Paulo Henrique Gahyva e Rafael Peres do Pinho e dois advogados foram indiciados por formação de quadrilha, corrupção ativa e corrupção passiva. Com o fim do inquérito, a polícia pediu a prisão preventiva de Beatriz Árias e Vera Lúcia. Embora a polícia não tenha divulgado, os nomes dos advogados indiciados, Anderson Luiz Bernardinelli e Alex José Silva, constam de um documento protocolado ontem, no final da tarde, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso. Seis advogados surgiram como suspeitos durante as investigações. Deles, três foram identificados pelos investigadores e dois, indiciados. Eles dariam “presentes” para os funcionários da 2ª Vara Criminal para que processos tivessem prioridade. Conforme as informações levantadas nas apurações, os contatos – em nome dos advogados - eram feitos, na maioria das vezes, por assessores jurídicos ou familiares dos presos. Em alguns casos, as negociações não passavam por Beatriz. Eram feitas diretamente com a escrivã. Uma das conversas entre Vera Lúcia e um dos advogados identificados nas investigações, o tratamento usado demonstra intimidade entre eles. Na mesma conversa, a escrivã avisa ao defensor que quer um presente porque é aniversário dela. Em seguida, o interlocutor dispara: “Todo mês tem aniversário nessa vara?”. Os dois profissionais indiciados foram acusados pelos estagiários de oferecer presentes e dinheiro em troca da movimentação dos processos de clientes. Um dos presentes, um aparelho de som, foi apreendido pela Polícia Civil. No depoimento prestado logo após ser presa, Beatriz Árias confessou fazer a ponte entre presos. A ex-escrevente contou todo o envolvimento de um dos advogados no esquema de corrupção da 2ª Vara Criminal, inclusive que ele pegava dinheiro de presos e mandava para Vera. No depoimento, a ex-escrevente falou que o advogado fazia o intercâmbio e ela era responsável por levar os clientes até ele. A operação Ártemis, que ocorreu no dia 4 de dezembro, desarticulou um esquema existente há cerca de sete anos na Vara de Execuções para recebimento de “presentes” para permitir a tramitação normal dos processos que estão no local. As investigações ocorreram durante cinco meses e só vieram à tona porque familiares começaram a reclamar sobre as atividades ilícitas do grupo. A maior reclamação era de que se a escrivã não recebesse “presentes” dos presos, os processos ficavam parados. É na 2ª Vara Criminal que se julgam os pedidos de redução de pena de réus presos. Presa no dia da operação, Vera conseguiu a liberdade no último domingo, por meio de um habeas corpus. No mesmo dia, saiu da prisão Wilber Martins Rodrigues, um dos traficantes que tinham contato freqüente com Beatriz Árias, conforme informações da investigação. Os dois HC foram julgados no mesmo dia. Wilber era um dos presos para o qual Beatriz tentava benefícios.

Edição EDIÇÃO 16962




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