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CIDADES
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, 19h:59

DIAMANTES

Sete presos no Estado

Entre Juína e Cuiabá, acusados se dividiam em fazer ligação entre extrativistas ilegais e consumidores

DHIGO MAIA
Especial para o Diário
Agentes da Polícia Federal prenderam ontem sete pessoas entre Juína e Cuiabá suspeitas de integrar duas quadrilhas especializadas na extração e comercialização ilegal de diamantes retirados das minas da reserva indígena Roosevelt, localizada no município de Espigão D’Oeste (RO). No total, a Justiça Federal de Rondônia expediu 16 mandados de prisão temporária, dois de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, todos os mandados de prisão haviam sido cumpridos. Além de Mato Grosso, 11 pessoas foram presas em Rondônia e mais uma em Minas Gerais. A operação, denominada de Adamas - palavra de origem grega que remete a “dureza”-, ocorreu nos municípios de Espigão D’Oeste (RO), Cacoal (RO), Monte Negro (RO), Ariquemes (RO), nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Teófilo Otoni, Patos de Minas, Coromandel, São Gonçalo do Abaeté, além de Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Em entrevista ao Diário, o superintendente da PF do estado vizinho, Cezar Luiz Busto de Souza, informou que o grupo já era investigado há um ano e foi identificado após uma tentativa de assalto na região. “Esses ladrões queriam roubar diamantes em uma residência. A partir daí, começamos a investigar a origem dessas pedras”, revela. Foram apreendidos pela PF diamantes, rubis, esmeraldas, um notebook, documentos diversos, armas e dinheiro. Para chegar até as minas de diamante e construir os garimpos improvisados, o grupo, primeiro iludia os indígenas da etnia cinta-larga. Após conseguir a autorização dos indígenas, até por meio de coação psicológica e violenta, os garimpeiros faziam a extração das pedras que eram repassadas para comerciantes especializados na venda. Conforme a PF, os envolvidos de Mato Grosso na quadrilha, cuja ocupação é de comerciante, agiam como intermediadores entre os garimpeiros e os compradores localizados em São Paulo e Minas Gerais. Em um ano, a polícia efetuou apreensões de diamantes no valor de R$ 500 mil, de suspeitos que integravam a quadrilha. A última apreensão chegou a ocorrer em Mato Grosso. Um dos supostos integrantes da quadrilha foi preso domingo passado quando tentava embarcar no Aeroporto Marechal Rondon em direção a São Paulo com 24 gemas de diamante na cueca, sem documentação de origem comprovada. Na ocasião, ele disse que havia adquirido as gemas em Juína e que os diamantes teriam sido comprados por R$ 13 mil. Após ser preso, o garimpeiro pagou fiança e responderá na Justiça por usurpação contra o patrimônio da União em liberdade. Reincidente no delito, o suspeito deverá prestar depoimentos à PF em Rondônia nos próximos dias. PRESOS - O juiz federal da 3ª Vara de Mato Grosso, César Augusto Bearsi, foi o responsável por expedir os mandados de prisão contra alguns envolvidos de Mato Grosso. A Justiça de Rondônia também enviou mandados de prisão para o Estado. Os presos são Alindo Francisco Alves, Carlos Roberto Cardoso, Geovane Campos Rego, Léo Palansc, Moacir Macedo Pinto, Paulo César Domingues e Rodrigo César de Souza Domingues. Estes últimos seriam pai e filho. ROOSEVELT - Nos últimos seis anos, a PF já apreendeu mais de três mil quilates de diamantes extraídos na reserva. Só neste ano, a polícia já conta com 500 quilates apreendidos da pedra preciosa. A reserva abriga 1,5 mil índios da etnia cinta-larga em uma área de dois milhões de hectares presente nos estados de Rondônia e Mato Grosso. Estima-se que a área seja a maior do mundo em minério de diamantes, com capacidade de produção 15 vezes maior do que a considerada a maior mina do mundo, localizada na África. A exploração na área poderia render anualmente US$ 3,5 bilhões.

Edição EDIÇÃO 16967




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