CIDADES
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008, 21h:16
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LIXÃO DE VG
Servidora admite ter jogado fora fetos
Em depoimento à polícia, ontem, funcionária do pronto-socorro informou não ter verificado sobre de que se tratava o lixo acumulado no centro cirúrgico
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A servidora da prefeitura de Várzea Grande, C.D.E, de 51 anos, admitiu ontem de manhã que foi a responsável pela confusão que se transformou a localização de 11 fetos no lixão da cidade, nas proximidades do Trevo do Lagarto. Em depoimento ao delegado Antônio Esperândio, ela relatou não ter verificado o conteúdo das caixas que estavam no centro cirúrgico. Acreditando que se tratava de lixo comum, colocou em sacos pretos. Ao todo havia 29 embalagens, nas quais foram encontrados também fragmentos humanos retirados para biopsia. Não verifiquei o conteúdo. Como sou responsável pela desinfecção do centro cirúrgico, percebi que duas caixas molharam com a limpeza e o formol se espalhou. Então, juntei tudo, coloquei num saco e lacrei. Meu erro não foi checar o que se tratava, frisou. O fato ocorreu no sábado à tarde. Para a polícia, o lixo hospitalar armazenado em local inadequado pode configurar crime ambiental. No domingo de manhã, catadores de lixo comum se depararam com os fetos embalados em garrafas plásticas de dois litros. Então, acionaram a polícia. De imediato, policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) descobriram que se tratava de negligência, pois o lixo hospitalar deveria estar num recinto ao lado, para receber esse tipo de material. Ainda no domingo, a servidora disse que, quando ficou sabendo da confusão que se transformou o erro na coleta de lixo, se apresentou à direção do PSVG se prontificando a dar explicações sobre o episódio, inclusive na polícia. Para o delegado Antônio, não houve intenção alguma da servidora pública em misturar o lixo. Explicou que C.D. foi ouvida como testemunha e o caso será encaminhado para a Delegacia Distrital do Jardim Glória, em Várzea Grande. Como não houve crime contra vida, vamos transferir as investigações para a delegacia da área, no caso, em Várzea Grande, acrescentou. Uma cópia do procedimento será entregue para a Delegacia do Meio Ambiente (Dema), que verificará se houve ou não crime ambiental. Nesse caso, a responsabilidade recairá sobre a direção do PSVG. O delegado Gianmarco Pacolla deverá ouvir a funcionária do PSVG e mais pessoas nos próximos dias. Os fetos apreendidos pela Polícia foram levados até o Instituto de Medicina Legal (IML). MUNICÍPIO - Após as declarações da servidora do Pronto-Socorro que teria colocado os 11 fetos em uma sacola de lixo comum por engano, a Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias do equívoco. Mesmo com o depoimento da técnica em enfermagem admitindo a culpa, a direção do hospital suspeita de sabotagem. Para o procedimento administrativo, o secretário de Saúde, Reinaldo Della Pasqua, nomeou a médica Maria das Dores Gonçalves da Silva para investigar o caso. Eles querem apurar se realmente houve algum tipo de sabotagem, já que a servidora trabalha a quase 20 anos na unidade de saúde e tem conhecimento de rotina hospital.