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CIDADES
Quarta-feira, 01 de Setembro de 2010, 20h:53

CHACORORÉ

Sema inicia reparação de danos

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) começou ontem a reparar os danos que levaram ao desastre ambiental na baía de Chacororé, em Barão de Melgaço (a 133 Km de Cuiabá), hoje um cenário de estiagem sem precedentes. Segundo anunciou o titular da Pasta, Alexander Maia, técnicos estão no local com equipe da Infraestrutura estadual (Sinfra) para desobstruir corixos que desembocam na baía e reconstruir barragens de pedra que seguram o nível das águas. A intervenção é justamente o que o Ministério Público Estadual (MPE) está pleiteando na Justiça esta semana por meio de uma ação civil pública, interposta na terça-feira contra a Sema e a prefeitura de Barão de Melgaço. O MPE considerou responsabilidade do poder público a seca anormal que atualmente acomete Chacororé. Maia explicou, entretanto que reconhece a responsabilidade da Sema e, por isso, resolveu se adiantar a qualquer decisão judicial e realizou convênio com a Sinfra para começar a agir o quanto antes, sem sequer a participação da prefeitura de Barão. É necessário que as intervenções estejam prontas até o dia 10 de setembro devido à previsão de chuvas. Por enquanto, a Sema deve desobstruir quatro corixos (canais que levam água dos rios à baía) para possibilitar que, no período da cheia pantaneira, eles voltem a fornecer água para Chacororé. Eles foram fechados por moradores do local pelo risco sazonal de entrar água nas casas, explica Maia, e tal fechamento foi apontado pelo MPE como uma das duas principais ações humanas responsáveis pelo ressecamento anormal de Chacororé na atual estiagem, agravado há dois meses pela umidade baixíssima deste ano. Hectares da baía, que antes chegavam a ser alagados por até 2,5 metros d’água, hoje viraram pasto. Maia cogita a desobstrução de mais corixos, mas precisa antes estudar o impacto social da intervenção (cerca de 150 famílias vivem ali). A Sema também tentará reconstruir quatro barragens de pedra responsáveis por conter a vazão que sai da baía de Chacororé, mas que foram depredadas com o tempo e pela ação de pescadores profissionais, interessados em acumular o peixe em áreas alagadas cada vez menores. A reportagem inclusive flagrou pessoas praticando essa pesca predatória na pouca área ainda alagada quando esteve no local há pouco mais de uma semana. A Sema solicitou à polícia ambiental que mantenha fiscalização no local, tarefa antes atribuída à Pasta. Segundo Maia, não há condição de manter fiscais permanentes no local. Já a promotora Julieta Nascimento se mostrou otimista por conta da ação independente anunciada pela Sema, mas informou que a ação civil pública continuará tramitando e até espera que perca o objeto. (RD)

Edição EDIÇÃO 16962




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