Cerca de 400 integrantes do movimento participam da manifestação, que pede mais agilidade nos processos e o retorno de aulas de agronomia
ANA PAULA BORTOLONI
Da Reportagem
Cerca de 400 trabalhadores do Movimento dos Sem Terra (MST) ocuparam ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles reclamam de lentidão do governo federal para a desapropriação de 15 áreas, além de mais infra-estrutura para os acampados e retorno das aulas de agronomia oferecidas pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Nos últimos seis meses, sustentam, foram assentadas apenas 35 famílias do MST no Estado. A meta é que duas mil famílias alcancem o benefício. Acusam falta de vontade política tanto do governo federal quanto do estadual. Nos dois mandatos do presidente Lula quase não houve assentamento. A nossa pauta não tem nada de novidade, são reivindicações antigas mas que não foram atendidas, justifica Reginaldo Rossin, um dos coordenadores do MST. As aulas de agronomia foram suspensas porque a Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faesp) não prestou contas dos repasses feitos pelo governo federal, via Incra, desde o início do projeto, em 2005. Superintendente substituto do Incra, Sebastião Pereira Cajango informou que o órgão deu 40 dias para que a Faesp resolva a situação. O prazo vence na próxima semana. Quanto aos outros itens da pauta, Cajango nega que haja inércia do instituto. É uma demora burocrática. A reforma agrária depende não só do Incra, mas também da Justiça e do Ibama. Para ser desapropriada uma terra, leva tempo. Nunca foi feito em menos de um ano, argumenta o dirigente. Uma reunião entre representantes do MST e Incra está marcada para amanhã à tarde. Os manifestantes dizem que só vão deixar a sede do órgão com garantia de solução imediata. O superintendente informou que a procuradoria jurídica do Incra já entrou com pedido de reintegração de posse. O prédio não é só do movimento. É de toda a sociedade civil e dos outros movimentos sociais, justifica. Por causa da ocupação, não houve expediente ontem no Incra.