CIDADES
Quinta-feira, 31 de Março de 2011, 21h:16
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VOO 1907
Segundo piloto mantém versão do 1º: não desligou o sistema
Com duas horas a menos do que do colega, aconteceu ontem o depoimento à Justiça Federal do segundo piloto envolvido no acidente com o Boeing da Gol, Joseph Lepore, feito por videoconferência em Brasília. O acusado manteve a mesma versão de seu companheiro de voo, Jan Paul Paladino, interrogado um dia antes por cerca de 7 horas, dizendo que não desligou o sistema anticolisão da aeronave. Para a acusação no caso, que se arrasta há quase cinco anos, desde a queda da aeronave com a morte de 154 pessoas em setembro de 2006, o depoimento do segundo piloto fortaleceu ainda mais a tese do Ministério Público Federal, de que eles são os principais responsáveis pelo acidente. Para a procuradora da República Analícia Ortega Hartz, de Sinop, Lepore se contradisse o tempo todo durante seu depoimento, ao ponto de ser contrário às afirmações de sua própria defesa, que constam nos autos do processo. Ele chegou a dizer em determinado momento que não tinha nada a ver com o que a defesa disse, que o que estava falando era o que sabia, porque estava lá e os outros não, e que não tinha desligado o anticolisão. Porém, consta dos autos que a própria defesa identificou que existia um sinal no avião para chamar atenção dos controladores de voo de que o sistema estava desligado, relatou Analícia à reportagem. Os diálogos ocorridos durante o voo constam de gravação da caixa preta do jato Legacy pilotado pelos acusados. Ainda conforme a procuradora, as explicações sobre o sinal Off (desligado) no sistema anticolisão dada pelo piloto ora eram de uma forma, ora de outra. Ele disse primeiro que o aviso de off emitido poderia significar que não haveria choque em sentido contrário; mais tarde, disse que o off significaria que o equipamento estava funcionando inadequadamente. Respondeu de forma contraditória. O assistente de acusação, advogado da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907, Dante Daquino, comentou que o piloto prestou informações que vão de encontro às provas periciais. Ele disse que o painel funcionou normalmente, mas a perícia mostrou que não estava. A acusação saiu convicta de que está evidenciado a inconsistência dos depoimentos deles, acrescentou. A viúva de uma das vítimas e presidente da Associação, Angelita De March, acompanhou os dois depoimentos em Brasília e disse ser bastante importante o acontecimento porque o processo levou muito tempo e temia que o crime prescrevesse. O juiz explicou que, agora, as partes vão ter cinco dias para apresentar as alegações finais, podem ter alguns trâmites depois, mas garantiu que a sentença será proferida até junho. Paira no ar, agora, uma dúvida sobre a pena. Se condenados, não se sabe, pela legislação brasileira, se os pilotos cumprirão pena aqui ou nos EUA, de onde prestaram o depoimento. Primeiro o juiz condena, depois ele vê como será a pena, uma coisa de cada vez, disse o magistrado Murilo Mendes em entrevista a uma emissora de TV. A sentença será proferida em Sinop.