CIDADES
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009, 20h:23
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HANSENÍASE
Saúde traça metas para combater doença
Dados da Secretaria Municipal mostra que, entre os anos de 2004 e 2008, foram registrados nada menos que 2.227 casos na Capital
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Cuiabá vivencia uma situação de hiperendemia, ou seja, de transmissão intensa e persistente de hanseníase. A situação, no entanto, é apenas um espelho do que acontece não só em Mato Grosso, mas em todo país. Por isso, ontem o secretário municipal de Saúde (SMS), Luiz Soares, assinou uma portaria estabelecendo projeto de metas e ações a serem executadas como forma de intensificação as atividades de controle da doença na capital. Os objetivos, conforme Soares, são aumentar a taxa de detecção, de cura e de abandonado do tratamento da hanseníase. Para isso, vai reforçar as ações educativas e incentivar a busca ativa dos casos com premiação financeira individual dos servidores das unidades de saúde, por caso novo detectado. Dados da SMS mostram que entre 2004 a 2008 foram registrados 2.227 casos em Cuiabá. Do total, 58% são homens, sendo a faixa etária de 20 a 64 anos a que apresentou maior número de casos. O modo de detecção mais encontrado foi a de demanda espontânea, num total de 1.068 casos, o que reforça a necessidade da busca ativa. Os dados mostram ainda que 1.736 foram notificados como casos novos, 1.195 receberam alta por cura e ocorreram 59 casos de abandono de tratamento. Apesar da boa taxa de cura no período, percebe-se que é necessário reduzir os casos de abandono ao tratamento, pois tais casos representam de continuidade de contaminação. Além disso, o município apresentou todas as formas clínicas de hanseníase neste intervalo de tempo, com destaque para as formas dimorfa (767) e tuberculóide (524). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), eliminar a hanseníase significa ter menos de um caso para cada grupo de 10 mil habitantes. Em 2008, Cuiabá detectou 376 casos para uma população de aproximadamente 550 mil pessoas. Em 2007, ocorreram 474 contra 353 casos registrados no ano anterior. No município, umas das regiões com prevalência significativa da doença é a do Novo Paraíso I, que conta com 3.480 moradores. Lá, no ano passado, foram detectados 32 casos, uma prevalência de 86,2/10 mil habitantes. Somente neste ano, já foram diagnósticos mais nove casos. Todos estão fazendo o tratamento da doença, afirmou o médico do PSF do bairro, Werley Peres. O abandono é zero. Ele observa que para eliminação da doença é necessário identificar novos casos e garantir o acesso ao tratamento para todos os pacientes. É o que tem feito as equipes de médicos, enfermeiros e agentes de saúde do PSF do Novo Paraíso. Em 2007, havia apenas sete. Conseguimos aumentar porque fomos buscar os pacientes, frisou. O tratamento é feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e dura de seis a doze meses. Perez observa que é preciso investir em polícias públicas que visem melhores condições de vida, já que as taxas elevadas de prevalência de hanseníase refletem, em geral, baixos níveis de condições de vida e de desenvolvimento socioeconômico, o que não significa que indivíduos com melhor poder aquisitivo são imune a doença.