Dezesseis municípios de Mato Grosso devem passar, ainda no segundo semestre de 2012, por um inquérito do Ministério da Saúde sobre a ocorrência e proliferação de casos de esquistossomose. O levantamento ocorre logo após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgar os resultados de segurança da vacina contra a doença desenvolvida pelo Laboratório Esquistossomose Experimental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Transmitida pelo parasita schistosoma, a doença pode ser contraída por meio de água contaminada por caramujos infectados. É considera pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a segunda doença parasitária mais devastadora, atrás apenas da malária. Apesar de haver registros em Mato Grosso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirma que o Estado não está localizado numa região endêmica. Segundo a assessora técnica da Vigilância em Saúde, Alba Valéria Gomes de Melo, todos os casos identificados foram importados de outros lugares. Tivemos casos em Jucimeira e Jaciara. Fizemos uma investigação do histórico dos pacientes e constatamos que eles já chegaram ao Estado com a doença. A pessoa pode ter o parasita por 10 anos sem desenvolver a esquistossomose, explica. Segundo Alba Valéria, a secretaria também faz levantamentos em campo nas cidades em que os casos são registrados e, até hoje, não encontrou nenhum caramujo portador do schistosoma. Ainda não há estudos que expliquem o motivo disso. Pode ser o clima, a qualidade da água, uma série de fatores. Mesmo não havendo casos tipicamente mato-grossenses de esquistossomose, o Estado foi incluído no levantamento nacional do Ministério da Saúde. As 16 cidades em que os dados serão levantados devem ser sorteadas. Os estudos serão realizados com alunos, com idade entre 7 e 14 anos, de escolas estaduais que também serão selecionadas por meio de sorteio. Alba Valéria explica que todos os eventuais casos identificados da doença serão tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar disso, ela acredita que a vacina deva demorar a chegar em Mato Grosso justamente por não haver dados de endemia no Estado. Com o anúncio de segurança, divulgado ontem pela Fiocruz, a fundação pode se preparar para dar início aos testes em larga escala. Espera-se que em cinco anos, as populações de risco sejam imunizadas.