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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 17 de Novembro de 2012, 13h:38

REDE PÚBLICA

Saúde mental definha na Grande Cuiabá

Visitar os Caps e o pronto-atendimento do Adauto Botelho é suficiente para constatar o descaso com que doentes e suas famílias são tratados

ALECY ALVES
Da Reportagem
Não é necessário conviver com o drama da esquizofrenia para se indignar com o que acontece nas unidades públicas de saúde, estaduais e municipais, destinadas ao atendimento dos pacientes com transtornos mentais. Visitar alguns Caps (Centro de Assistência Psicossocial) e o pronto-atendimento do Hospital Adauto Botelho já é suficiente para constatar o descaso com que os doentes e suas famílias são tratados, especialmente os pacientes que dependem de receita para o uso regular de medicamentos que previnem surtos psicóticos. Seria possível imaginar, por exemplo, o que faz uma unidade dessas sem psiquiatra e psicólogo. Pois bem: é isso que vem acontecendo há quase três meses no Caps CPA IV, do programa municipal de saúde mental. Apesar de manter as portas abertas, pouco, ou praticamente nada, esse Caps oferece às centenas de pessoas que deveriam ser usuários do serviço. Uma enfermeira e uma assistente social até avaliam o paciente, mostrando que o atendimento psiquiátrico é necessário, mas não passa disso. Lá também funcionam sessões de musicoterapia, três vezes por semana, mas somente para os pacientes mais antigos ou aqueles que chegam com encaminhamento assinado por profissionais de outras unidades. Apesar de não existir uma lista formal de espera por consulta, um funcionário informou à reportagem que dezenas de pessoas ligam ou vão até o local diariamente em busca de atendimento especializado em psiquiatria e psicologia. Dona Acácia Cuiabana Salomão Hensy, moradora do CPA II, é uma das que aguardam a chegada do psiquiatra. O marido e um filho dela são portadores de esquizofrenia e precisam de assistência e acompanhamento especializado regulares. A maior preocupação de dona Acácia no momento é a saúde do filho André Luiz, de 33, que precisa consultar com um psiquiatra para que possa obter um novo receituário, condição renovar o cadastro na Farmácia de Auto Custo e receber nova remessa de medicamentos de uso controlado. Como o marido e o filho dependem da assistência dela, dona Acácia diz que não tem como sair pela cidade percorrendo outras unidades de saúde mental em busca de psiquiatra. Nos próximos dias o remédio que André Luiz faz uso diariamente deve terminar e a mãe ainda não tem uma nova receita. Ela recorda que ano passado, para fazer o tratamento que hoje mantém o marido com a doença sobre controle, teve de recorrer à Justiça. Uma liminar, obtida em ação impetrada pela Defensoria Pública, levou o filho e marido para o Hospital da Unicamp (Universidade Federal de Campinas), em Campinas, São Paulo.

Edição EDIÇÃO 16961




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