CIDADES
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010, 20h:13
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CRIME AMBIENTAL
Rinha desfeita pela PF
Frequentado por figurões e gente de outros estados, local abrigava 150 galos de briga, alguns avaliados em R$ 10 mil
A Polícia Federal desbaratou, na tarde de ontem, uma rinha de galo em pleno funcionamento no bairro Jardim Comodoro, Coxipó. No local, onde estavam cerca de 150 pessoas (incluindo apostadores de outros estados e até da Bolívia), foram apreendidos 150 galos de briga que sofriam excessivos maus-tratos. Além disso, apetrechos como biqueiras, esporões de metal ou plástico e medicamentos (cicatrizantes, antibióticos, vitamínicos e suplementos alimentares, muitos de origem argentina, mas de legalidade não comprovada no Brasil). A rinha funciona há mais de 35 anos e é composta por três arenas, sendo uma principal. Os organizadores, identificados como Sociedade Avícola Nova Geração, vendiam ingressos a variados preços para os espectadores. As brigas envolviam galos avaliados em até R$ 10 mil. Atrás do casarão onde se realiza o evento, os galos agonizantes ou mortos eram descartados. De acordo com o delegado Rodrigo Bartolamei, a PF recebeu anteontem denúncias de que estava sendo realizado um torneio nacional no local, o que foi averiguado. Ninguém foi preso, mas também não houve resistência por parte dos presentes. Ontem, a PF foi acompanhada por fiscais do Ibama, que atestaram a existência de maus-tratos aos animais. Os galos foram apreendidos. Entretanto, como nem a PF e nem o Ibama possui estrutura para abrigá-los, o presidente da Sociedade de Avicultura ficará como fiel depositário dos animais. Bartolamei explicou que não teria como interditar o local porque os organizadores alegaram estar apoiados numa liminar de 2008 do Tribunal de Justiça, depois referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Portanto, ainda na noite de ontem, havia a possibilidade de que o torneio voltasse à ativa logo após a retirada dos agentes federais e da imprensa. De acordo com a liminar apresentada pelos organizadores, a Justiça entendeu que a prática de rinha é um traço cultural local. Daí o salvo-conduto que tornou Mato Grosso o único local do país onde ainda há vista grossa para a prática, atraindo apostadores de todos os cantos. Segundo um dos presentes no torneio, que não quis se identificar, nenhum apostador se sentia na ilegalidade por conta da liminar judicial. Entretanto, ninguém envolvido com o torneio quis se identificar para falar à reportagem, nem o presidente da Sociedade de Avicultura, Wilson Oldenos de Pinho, concedeu entrevista. Entretanto, Bartolamei aponta que a mesma decisão prevê que a autorização não se estende à prática de excessivos maus-tratos aos animais. Por isso, a PF continuará investigando. Agora, todos os presentes no local durante ação da PF precisam ser identificados e qualificados. Há boatos de que, entre eles, haviam autoridades como membros do Judiciário, parlamentares e um prefeito. Em 2008, a Polícia Militar tentou coibir a prática de maus-tratos no mesmo local. O impedimento foi justamente uma decisão, de 2004, do desembargador José Tadeu Cury. Na ocasião, o advogado da Sociedade Avícola, que só se identificou como Fagundes, chegou a se desentender com jornalistas e quase agrediu um fotógrafo que tentava conseguir imagens do local.