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CIDADES
Quarta-feira, 11 de Julho de 2012, 21h:43

SUIÁ-MISSÚ

Reunião na Funai deixa posseiros insatisfeitos

Órgão se compromete a consultar Estado na elaboração do plano de desocupação

LAURA NABUCO
Da Reportagem
Representantes dos posseiros da gleba Suiá Missu, nas proximidades de Alto Boa Vista (1.064 km de Cuiabá), saíram insatisfeitos da reunião com a presidente da Funai, Marta Maria do Amaral Azevedo. O encontro, realizado ontem, com a presença do governador Silval Barbosa (PMDB) e de representantes da bancada do Estado no Congresso, tinha como objetivo encontrar uma alternativa à ordem de retirada dos não-índios da área de 165 mil hectares demarcada como território da reserva indígena Marãiwatsede, da etnia xavante. Segundo o produtor Sebastião Prado, membro da associação dos posseiros, a presidente prometeu, sem ênfase, estudar a proposta de permuta entre a área de litígio e outra, localizada perto do Parque Estadual do Araguaia, apresentada pelo governo do Estado, mas não transmitiu confiança. “É um órgão que defende os índios. Eles entendem que o processo de demarcação foi correto”. A reunião na Funai foi precedida de uma audiência com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), e minou as expectativas dos posseiros. Eles haviam deixado o encontro com a petista crentes de uma decisão favorável. Diante da sinalização da Funai, no entanto, chegaram a cogitar a possibilidade de pagamento de indenização aos proprietários que não tiverem perfil para inclusão no programa de reforma agrária do Incra. O órgão já possui três fazendas na região de Ribeirão Cascalheira, a cerca de 175 km da área de litígio, mas nem todas as famílias devem ser transferidas para lá. Segundo o deputado estadual Baiano Filho (PMDB), que acompanhou a reunião, a presidente da Funai se comprometeu a consultar o Estado durante a elaboração do plano de desocupação da área, que deve ser concluído até a próxima segunda-feira (16), conforme determinação da Justiça, a pedido do Ministério Público Federal. O peemedebista disse ainda que a Funai garantiu ouvir os 130 xavantes contrários à demarcação da reserva. Eles são contestados pelo cacique Damião Paradzané. Líder do grupo favorável à retirada dos posseiros, ele diz que estes índios foram “comprados” pelos posseiros para tumultuar o processo e nunca residiram na aldeia. Durante o encontro com a presidente da Funai, Silval pleiteou um acordo que beneficie as duas partes envolvidas. A principal preocupação é quanto à possibilidade de conflito na região. “Ninguém quer prejudicar os indígenas nem os produtores, a decisão tem que ser boa para todos”. O assunto também foi debatido com a bancada federal do Estado, que se comprometeu a levar a discussão ao Senado e Câmara Federal, pressionando a União e o Judiciário a adotarem medidas mais amenas.

Edição EDIÇÃO 16965




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