CIDADES
Sábado, 31 de Julho de 2010, 11h:59
A
A
ESTACIONAMENTO
Restrição em mais vias
Para favorecer fluxo do trânsito no Centro, habitantes de mais ruas precisam estar preparados para proibição
As recentes proibições ao estacionamento de veículos nas pistas das avenidas Presidente Marques e Marechal Deodoro, no Centro, servem de alerta para o motorista em Cuiabá: intervenções semelhantes podem e precisam acontecer em outras vias importantes, segundo a Secretaria de Transportes Urbanos, favorecendo o fluxo do trânsito em detrimento das facilidades de que moradores e comerciantes dispunham antes. Num cenário com ruas cada vez mais apinhadas, pelo jeito a cidade não tem como deixar de aplicar essas medidas. As proibições ao estacionamento nas pistas da Presidente Marques e da Marechal foram feitas no início do mês de julho e renderam polêmica, embora as vias tenham ganhado mais uma pista de rolamento cada uma. E a experiência nas duas vias servirá para a prefeitura avaliar intervenções parecidas em outros pontos da cidade, anuncia o secretário de Transportes Urbanos, Edivá Alves, mesmo que tenham desagradado moradores e comerciantes dos locais. Essa foi a reação de moradores como Sérgio Espírito Santo Pedroso, 33 anos, que vive numa casa na Presidente Marques desde que nasceu e teve as vagas, na pista em frente de casa, tiradas pela prefeitura. Para ele, a mudança gerou o que ele classifica de bagunça. Os caras que deviam estar fazendo algo para melhorar, fazem para piorar, esbraveja, apontando para onde está tendo de deixar o carro: numa esquina disputada em outro quarteirão. Ainda na Presidente Marques, há mais manifestações contrárias às mudanças, desta vez do comércio. Recepcionista de um salão de beleza, Lauyana Ferreira Maciel defende que o ideal era de se manter a possibilidade de estacionar nas ruas, pois a proibição está inibindo a clientela. Os amarelinhos estão fazendo a festa, relata, referindo-se às multas aplicadas. Ela ainda critica o fato de que os usuários da via não foram previamente avisados das modificações por parte da prefeitura, mas não deixa de reconhecer melhora no fluxo de veículos. E mesmo moradores que se sentiram prejudicados pela proibição dos estacionamentos entendem a mudança como necessária. Mais antigo no Edifício Guaporé, na avenida Marechal Deodoro, o aposentado Luiz Carlos del Nery, 73 anos, chegou a contestar com um abaixo-assinado (mais de 100 nomes colhidos) a falta de consulta prévia aos moradores da rua antes da medida ser implementada, mas não deixa de admitir a melhoria no trânsito para todos. Foi uma melhoria para o trânsito? Foi, mas complicou a vida do pessoal aqui, diz. Em contraste com a capacidade de fluxo aumentada da rua, Nery lamenta o fato de que seu filho não consegue mais lhe visitar por não ter onde deixar o carro, além da complicação que virou requisitar serviços de pintores, encanadores, empresas de mudanças e outros. Efeitos colaterais da medida também foram sentidos por pais de aproximadamente cem alunos da escola Carmelita Couto, na mesma avenida. Segundo o professor Sérgio de Cezaro, muitos pais têm sido multados ao deixar ou buscar seus filhos, parando com o carro em frente à escola. Mas não adianta. A Capital tem que fluir seu trânsito, opina, minimizando os contratempos em prol do fluxo. VANTAGEM Minimizar esses contratempos provocados pela proibição do estacionamento é a mentalidade a ser seguida na Capital, explica o engenheiro de transportes Eldemir Pereira de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso. Ele aponta estudos segundo os quais esse tipo de medida pode incrementar em pelo menos 60% a capacidade de fluxo da via, sem contar o alívio no trânsito de outras ruas. Por mais que contrarie a um ou outro, é um benefício, defende o engenheiro, a favor de que mais intervenções que valorizem a coletividade nas vias de Cuiabá, com o entendimento de que a rua não é somente dos que moram ou trabalham nela, mas de todo o trânsito local. Entretanto, destaca o engenheiro, todas as medidas não adiantam se a prefeitura não mantiver uma fiscalização presente, o que serve para conscientizar diretamente os motoristas, mesmo aqueles que apenas eventualmente praticam infrações pontuais.