CIDADES
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009, 21h:13
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CONDECORAÇÃO
Religioso de MT recebe comenda do governo alemão
ALECY ALVES
Da Reportagem
O missionário salesiano alemão Alois Würstle, 71 anos, que dedicou metade de sua vida a assistências e melhoria de condições de saúde nas aldeias indígenas mato-grossenses, recebeu ontem, às 19h30, a cruz de mérito da República da Alemanha. Para entregar a condecoração ao mestre Luiz, como os índios o batizaram, está em Cuiabá o conselheiro da embaixada alemã no Brasil, Bernd Weidlich. A homenagem que o missionário recebeu é excepcional, concedida somente a chefes de estado e alemães que, comprovadamente, atuaram de forma relevante em benefício da sociedade. Desde a década de 70, Alois vive em Mato Grosso, onde representa a Assistência Missionária Ambulante (AMA), um projeto idealizado por um suíço que recebe o apoio da organização internacional Ajuda à Igreja que Sofre. Até poucos anos atrás, Alois contava com a parceria do irmão, Franz Würstle, que morreu. Aqui, com a ajuda financeira de alemães e brasileiros, ele e sua pequena equipe de operários trabalham na perfuração de poços artesianos, construção de estradas, pontes e pequenas usinas e outros serviços para os índios, em especial das etnias bororo e xavante. A indicação do nome do mestre Luis ou Alois para receber esta homenagem foi da Fundação Georg Kraus, por escolha unânime dos sócios. Esta Fundação é parceira do Projeto AMA há vários anos. A sede da AMA fica no Patronato Santo Antônio, uma escola criada pela Missão Salesiana da Igreja Católica. Lá, no bairro Coxipó, funciona a oficina onde Alois põe em prática toda sua criatividade. Ele inventa e desenvolve equipamentos que facilitam e melhoram a vida dos índios. Para retirar água dos poços artesianos que perfura, o missionário desenvolveu um balanço infantil. Com esse instrumento, as mulheres índias, responsáveis pelo abastecimento de água nas aldeias, retiram a água dos poços. O vai e vem do brinquedo bombeia água para as torneiras onde as mulheres enchem os baldes e outros utensílios. Alois já perdeu as contas de quantos poços perfurou em aldeias, mas sabe que passam de 200. Também contabilizou o número de estradas abertas e pontes construídas. Ele não tem formação religiosa para evangelizar ou ser padre, ou ocupar qualquer outro cargo na Igreja, mas usa sua forma de trabalho para divulgar o amor de Deus. Mestre Luiz costuma dizer que se considerada um missionário diferente, por não saber pregar com palavras, mas acha que, com trabalho, dedicação e bom exemplo consegue ser um pouco mensageiro do amor de Deus.