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CIDADES
Sábado, 29 de Setembro de 2012, 13h:37

SURFISTINHA DE MT

Relatos de uma acompanhante de luxo

Amanda é uma profissional autônoma e a clientes chegam até ela por meio de um site. Um encontro pode custar mais de R$ 1 mil

STÉFANIE MEDEIROS
Da Reportagem
Loira, magra e dona de um sorriso encantador. Este é o trabalho da acompanhante de luxo conhecida como Amanda “Gauxa”, de 23 anos: encantar seus clientes, que a procuram para satisfazer fantasias pessoais ou para ter a companhia da gaúcha que está há pouco mais de um ano na profissão. Em entrevista ao Diário, Amanda conta que o mais atrativo de ser uma acompanhante de luxo é ter a liberdade de criar os próprios horários e a rotina. Ela explica que algumas garotas bem sucedidas na área conseguem ganhar até R$ 1.000 em um único atendimento. Descontraída e bastante esclarecida, Amanda diz que o que atrai a maior parte das meninas a ser acompanhante de luxo é o fato de ser uma profissão desligada do cotidiano encontrado na maioria dos empregos. Outro ponto levantado por ela foi que garotas que não chegaram a concluir o segundo grau têm a oportunidade de ter uma renda mensal comparável a de um empresário. “Muitas vezes entramos neste ramo por impaciência de esperar outra carreira decolar. Quando as contas se acumulam e você tem a chance de ter uma boa renda, é muito atrativo”, disse. No entanto, Amanda ressalta que para ser bem paga também é preciso pagar um preço alto. Segundo ela, grande parte das garotas muda de cidade, se afasta de suas famílias e se priva de relacionamentos amorosos e vida social. “É comum as meninas entrarem em depressão. Geralmente ficamos muito isoladas e não temos ninguém com quem contar”, disse. Ela disse que para não se perder nos vícios que o ambiente de trabalho de uma acompanhante de luxo proporciona, é preciso ser muito responsável e saber cuidar de si. Amanda explica que o acesso ao álcool e outras drogas é muito fácil, e são muitas as profissionais que se deixam levar pela chance de ter um “escape”. “Eu já cheguei a ver uma colega de trabalho acordar com as mãos tremendo porque ainda não havia ingerido bebida alcoólica. E ainda era de manhã.” Outra questão um tanto quanto polêmica é a legalização da profissão. Sobre este assunto, Amanda explica que não é de interesse das profissionais da área ter uma carteira de trabalho, pois se decidirem por mudar de carreira, muitas pessoas não vão considerá-las como uma opção pelo fato de já terem sido acompanhantes de luxo. Ela ressalta que a discrição é muito importante na área, tanto em relação às meninas, quanto aos clientes. A exposição de suas carreiras passadas pela legalização da profissão diminuiria a oportunidade de empregos futuros, pois segundo Amanda, ainda há um “preconceito mascarado”. “As pessoas tem medo da moral e do que os outros vão dizer. Apesar da atividade não ser ilegal, é considerada imoral, o que traz alguns problemas se expusermos nossas vidas”. No entanto, ela explica que seria interessante a criação de um sindicato ou instituição aos quais as profissionais da área possam recorrer. Amanda relata que há muitas situações difíceis que podem acontecer, principalmente pelo fato de que a profissão envolve sair com desconhecidos e que o ambiente de trabalho não é dos mais seguros. “Se acontece alguma coisa, os advogados sempre dizem: ‘mas foi você que se submeteu a isso’. A dita moral vem sempre à frente da dignidade humana para estas meninas. Em uma situação de emergência, ficamos totalmente desamparadas”. LEIA TAMBÉM #LINK#418298#Público de elite e maior de 30 #LINK#418299#Amanda fala de ambientes perigosos

Edição edição 16957




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