CIDADES
Sábado, 09 de Janeiro de 2010, 10h:47
A
A
PAREDÕES DE CHAPADA
Redes metálicas e muros de contenção
Os paredões de arenito que compõem a beleza cênica na chegada do motorista a Chapada dos Guimarães, pela rodovia Emanuel Pinheiro, são o ponto de maior atenção da Defesa Civil Estadual, que aponta a necessidade de se instalar redes metálicas ou muros de contenção contra eventuais deslizamentos na pista. As medidas preventivas foram sugeridas ontem pelo órgão em resposta ao temor, suscitado ao longo da semana, de que os paredões poderiam provocar algum desastre natural por conta do desgaste acelerado pelas frequentes chuvas. As medidas preventivas mencionadas pela Defesa Civil têm como base um relatório técnico encomendado pela Secretaria de Estado de Infra-Estrutura (Sinfra) a respeito da estabilidade da rodovia na região do Portão do Inferno, um dos pontos mais movimentados da Emanuel Pinheiro, com pista estreita, mas em boas condições, segundo o relatório, entre o abismo e os paredões. Nesta semana, o temor dos deslizamentos em Chapada foi manifestado pelo deputado Adalto de Freitas, que propôs ao Estado a realização de um estudo geológico no complexo de paredões para averiguar a probabilidade de quaisquer desastres. O alerta, mesmo que extra-oficial, foi recebido pela Defesa Civil, cujo coordenador de Respostas a Desastres, major Elton Guilherme Crisóstomo, respondeu anunciando para o dia seguinte a conclusão de um estudo técnico a respeito. Entretanto, ontem a analista de meio ambiente da Defesa Civil, Cristina Ferreira de Moraes, informou que não foram feitos estudos novos porque as análises geológicas já realizadas por professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) são suficientes e tais estudos apontariam que, devido à fragilidade das rochas em Chapada, não há como prever onde e de que maneira rupturas podem acontecer. O que pode ser feito, afirma a analista, é prevenir. Por isso, a Defesa Civil deve solicitar à UFMT um novo estudo, mas, desta vez, em forma de relatório oficial de medidas que podem ser adotadas como preventivas a desastres. O órgão também pretende incluir outras secretarias na discussão dessas medidas. A região de Chapada dos Guimarães (a 65 quilômetros de Cuiabá) é repleta de paredões de arenito, formação rochosa que já passou por milhões de anos de intempéries e está em constante desgaste pelo vento, pelo sol e pelas chuvas, embora raramente em proporções visíveis ou que sugerem perigo à vida humana como aconteceu em abril de 2008, quando uma parte do paredão de arenito da cachoeira Véu de Noiva desabou sobre um grupo de turistas, deixando feridos e matando uma jovem de 17 anos.