CIDADES
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:18
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INTERNET
Rede de suicidas
Polícia de Tangará investiga se estudante foi levada a se matar após visita a páginas de apologia ao crime
ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
A morte de uma adolescente de 15 anos em Tangará da Serra, supostamente motivada por uma corrente de apologia ao suicídio através da internet, mostra um lado obscuro e tenebroso da rede mundial de computadores. Outro caso do suicídio de um estudante de 30 anos foi confirmado pela Polícia Civil, que também registrou uma tentativa não concretizada na cidade. No dia 6 de abril, depois de ingerir aproximadamente 40 comprimidos de cinco tipos de remédios, a estudante foi levada ao hospital da cidade. Em seguida, os médicos a encaminharam para Cuiabá, em coma. Depois de várias complicações, ela morreu no dia 11. Ao acessar o computador da menina, o delegado Cláudio Victor Freesz, responsável pelas investigações, percebeu que a garota visitava sites, comunidades do Orkut e blogs que faziam apologia ao suicídio. Algumas dessas páginas relatavam experiências e outros sugeriam qual a melhor forma para tirar a própria vida. Agora, a Polícia Civil trabalha para tentar identificar se houve incitação ou indução ao suicídio da menina. As investigações devem apontar se há uma rede de apologia a essa prática ou se esses casos são isolados. Mesmo assim, o delegado alerta que esse é um problema mundial e que não assola só Tangará. Para ele, a melhor prevenção é o acompanhamento e atenção da família. Se as famílias estivessem atentas, procurassem saber o que os seus filhos estão acessando na internet, essas coisas poderiam ser diferentes, defendeu. A partir do ano de 2002, uma onda de suicídios incitados pela internet chocou o mundo. Só em 2005, 91 japoneses, a maioria entre 20 e 30 anos, tiraram a própria vida, estimulados pela web. No Japão, em março de 2006, foram registrados três casos de suicídios coletivos. Treze internautas se suicidaram simultaneamente em fóruns virtuais com direito a transmissão via webcam. Na Inglaterra, uma menina de apenas 13 anos de idade também cometeu suicídio da mesma forma. Instituições internacionais de defesa da vida, como a Papyrus, que se dedica exclusivamente à prevenção do suicídio, alertam para que pais fiquem atentos aos seus filhos nas ocasiões de tristeza, abalos emocionais ou afetivos. Segundo a Papyrus, é na internet que os jovens costumam se refugiar e, na maioria das vezes, se isolam do contato real com outras pessoas. O delegado Cláudio Victor Freesz destacou que a incitação, indução e auxílio à prática de suicídio é crime, conforme o artigo 122 do Código Penal Brasileiro. Nesses casos, a pena prevista é de dois a seis anos de reclusão caso o suicídio de consuma.