CIDADES
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 21h:12
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CRIME DA UFMT
Recebida denúncia contra ex-servidor
Além de Jorge Tabory, que trabalhou no campus da UFMT de Rondonópolis e é considerado mentor do crime, ainda responderá Jaeder Santos, o executor
NAÍLA ALBUQUERQUE
Da Reportagem/Rondonópolis
O juiz federal da subseção judiciária de Rondonópolis, Francisco Alexandre Ribeiro, acatou a denúncia do Ministério Público de homicídio qualificado contra Jaeder Silveira dos Santos e Jorge Luiz Tabory. Os dois são acusados de participar, Jaeder como autor e Jorge como mandante e partícipe, do crime de homicídio qualificado contra três servidores públicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), executados no dia 27 de novembro do ano passado, na cidade. Com a decisão, a Justiça também decretou o fim do sigilo sobre o caso. O crime, que gerou comoção em todo o Estado e teve repercussão nacional, levou à morte a professora e pró-reitora do campus da UFMT de Rondonópolis, Soraiha Miranda de Lima, o prefeito do campus, Luiz Mauro Pires Russo, e o professor de Zootecnia, Alessandro Luiz Fraga. O motivo do crime estaria relacionado às funções públicas que a professora e o motorista desempenhavam na faculdade. Os denunciados foram presos em dezembro e permanecem nesta condição. Jorge está na Cadeia Pública de Rondonópolis e Jaeder, na Penitenciária Major Eldo Sá Correa, mais conhecida como Mata Grande. A decisão do juiz foi expedida na última quarta-feira e relata o reconhecimento de provas consistentes e suficientes para que os réus respondam pelo crime de homicídio qualificado e enfrentem julgamento pelo Tribunal do Júri Federal, da Subseção Judiciária de Rondonópolis. O processo mostra que foram ouvidas nove testemunhas de acusação, cinco testemunhas de defesa do réu Jaeder e sete, de Jorge. Relata-se ainda que o autor dos disparos entregou o mandante do crime. A pedido do advogado de Jaeder foi ouvida novamente uma das testemunhas por ter omitido um fato importante que auxilia no entendimento de que Jorge foi mandante e teve participação no crime ao buscar Jaeder de moto próximo à casa da vítima. Para confirmar a versão de Jaeder foi solicitado novamente o depoimento do gari Reginaldo Bezerra. Ele teria visto o autor do crime (Jaeder) ainda encapuzado e em seguida cruzou com a moto (Jorge) que o buscou no local. O depoimento do gari teria sido importante para comprovar que Jorge teria cruzado com ele, conduzindo uma moto, próximo ao local do crime, consta das alegações do MPF na decisão. A defesa de Jorge ainda pede no processo para que a Justiça não o ligue às mortes do motorista e do outro professor, uma vez que a vítima-alvo seria única e tão somente a pró-reitora Soraiha, não podendo ser responsabilizado por fato alheio à sua vontade, dizendo que a morte dos outros dois servidores seja creditada somente a Jaeder. Em resposta a tal pedido, o juiz é prontamente contra, argumentando que não vislumbra acolhê-lo, visto que Jorge não é só mandante do homicídio da pró-reitora, mas também de ser partícipe (quem contribui para a prática do crime) do mesmo, o qual de forma lógica, deflagrou a ocorrência dos demais eventos fatais.