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CIDADES
Sábado, 07 de Junho de 2014, 14h:08

FESTA DO DIVINO EM BONSUCESSO

Rapadura no topo da procura

DA ASSESSORIA
Secom Várzea Grande
Uma das mais tradicionais da região, a festa religiosa iniciou sexta-feira e prosseguiu ontem, mas ainda há tempo para curtir a Festa do Divino neste domingo, dia do fechamento, em Bonsucesso. A programação é composta de shows regionais e degustação de pratos típicos, além da comercialização de artesanato e outros produtos da comunidade, poderá também provar a rapadura produzida ali há décadas. Essa orientação é do secretário-adjunto de Turismo, Fábio Faria. A Secretaria de Turismo de Várzea Grande é uma das Pastas da Prefeitura envolvidas na logística parceira da festa, juntamente com outros setores do município e ala estadual. Faria argumentou que a rapadura produzida em Bonsucesso "é uma das delícias consagradas da boa terra várzea-grandense". Na sua avaliação, "soma-se a uma série de ornamentos destacados daquela comunidade, inegavelmente imbuída de força cultural fantástica". Antigamente, produzir milhares de rapaduras/dia era uma atividade corriqueira no distrito de Bonsucesso, segundo recordam os produtores Teonila Gonçalves de Miranda, 81 anos, e Athayde Guilherme de Miranda, 82. O casal orgulha-se de dizer que nasceu e viveu sempre em Bonsucesso, na mesma casa utilizada atualmente para produzir uma quantidade tímida de rapaduras. "Recordo que produzíamos de três a quatro mil rapaduras por mês. Era uma produção de comércio garantida. Já hoje..." A pequena produção agora é semanal, acrescentou dona Teonila. "Assim mesmo, nem compensa o esforço da preparação do forno, buscar cana, moer, e tudo o mais. Fazemos também rapadura de leite, batata doce com leite condensado. Uma delícia". Tanto doce assim nunca lhe fez qualquer mal. Ela acrescentou que sua saúde sempre foi tranquila. "Fiz um exame geral em 1965. De lá pra cá não fiz mais nenhum. Nem sei se sou diabética, mas como doce à vontade. Mas não sinto nada, graças a Deus". O esposo de dona Teonila, Athayde Guilherme, gabou-se de já ter colhido cana e moído tudo logo nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (05.06), quando o sol começava a raiar. "Peguei o carro de boi fui lá em Pai André, bem ali (apontou), onde temos um pequeno canavial. Já fui, colhi, moí e, agora, preparamos a garapa para virar melado, passo próximo de se tornar rapadura, quando dá o ponto e é colocada para secar e ser retalhada (corte)". Apesar de não terem filhos, eles falam animados do vizinho Evanildo, que mora bem em frente à velha casa. O quintal do vizinho serve de pasto para algumas reses do produtor de rapaduras. "Mais tarde, no cair da tarde, vou lá pra trazer o gado até o tanque d'água. Criamos Evanildo desde que era bem pequenininho, quando tinha uns dois anos. Para nós, é um filho. Foi ele quem me acompanhou hoje, quando fui buscar cana". Nos planos desse casal, consta um novo forno para a produção de rapaduras. O atual está com seus dias contados, adiantam. "Produzimos bem pouquinho nos últimos anos, mas não paramos. O antigo forno já fez muita rapadura. Mas é preciso um maior, mais firme. Logo estará bem aqui, neste lugar". Aposentadoria de serviço é algo que eles não admitem ser cogitado. "Parar de trabalhar pra quê? A gente morre triste quando não temos algo para fazer de útil nessa vida", comentam com ar divertido, enquanto mexem firmes uma colher gigante no imenso tacho de cobre. A mesma utilizada para retirar o melado que transborda nas laterais e aumenta a chiadeira do fogo. Uma última informação desses produtores de rapadura em Bonsucesso. "À medida que a garapa dá ponto, o nível abaixa e adicionamos mais caldo no tacho. É um processo cansativo, porém vale a pena. E as rapaduras ficam deliciosas, querem provar uma?"

Edição EDIÇÃO 16962




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