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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 19 de Dezembro de 2009, 00h:51

GOIABEIRAS

R$ 3,5 mi por danos

Família de Reginaldo Queiroz move ação cível contra o shopping e pede reparação moral e material por homicídio

STEFFANIE SCHMIDT
Da Reportagem
O advogado da família do vendedor ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz, morto aos 31 anos, Hélio Nishiyama, protocolou ontem a ação cível solicitando indenização de quase R$ 3,5 milhões do Goiabeiras Shopping. Reginaldo morreu no dia 2 de setembro, três dias depois de ter sido brutalmente espancado dentro do estabelecimento comercial. Quatro seguranças do shopping foram indiciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, furto e calúnia. A ação foi protocolada em nome de quatro autores, Odaísa e Daniele Queiroz, mãe e irmã de Reginaldo, além dos dois irmãos dele. A pedido da defesa, a reportagem não divulgará os nomes dos outros membros da família. O valor solicitado deverá ser dividido entre os quatro e refere-se à indenização material e moral. “A lei prevê o reparo moral por conta da morte, da perda e do sofrimento. A indenização material é a título de repor o que a família vai deixar de ganhar por conta do falecimento de Reginaldo, que era responsável pelo sustento da mãe”, explicou o advogado. “Insisto em dizer que a família não me pressionou porque não é um desejo de ficar rico, mas uma questão de justiça”, completou Nishiyama. Segundo ele, a família está mais preocupada com a condenação dos seguranças. Reginaldo era o segundo de quatro irmãos. Formado há dois anos em Contabilidade, ele vendia apostilas de concursos e outros objetos no Centro de Cuiabá. Era tido como “figurinha fácil” por muitos transeuntes e estava sempre sorridente. Sua conduta era tida como impecável e educada por colegas do Senai, onde ele fazia constantemente cursos para lidar com vendas e pessoas. Pouco antes de morrer, ele recebeu a notícia de que havia passado num concurso para guarda municipal de Campo Grande (MS). Reginaldo foi espancado durante 23 minutos na sala central de segurança do Goiabeiras Shopping, após ter sido caçado dentro do estabelecimento por estar trajando roupas simples, acompanhado de um grande chapéu de palha, segundo informações do inquérito. A reportagem entrou em contato com o Goiabeiras Shopping por meio da assessoria de imprensa, que informou que o estabelecimento não foi notificado ainda. CONTRÁRIO – O Ministério Público Estadual (MPE) deu parecer contrário ao pedido de revogação da prisão preventiva do segurança Ednaldo Rodrigues Belo, um dos acusados de participar do espancamento de Reginaldo. O pedido ainda não foi analisado pela Justiça. Na alegação, a defesa afirma que o momento processual não é mais o mesmo da ocasião da prisão e que o segurança apresenta bons antecedentes criminais. O promotor José Agusto Veras Gadelha lembrou, em seu parecer, que o processo transcorre dentro do prazo legal, “inexistindo qualquer constrangimento ilegal” para o preso. Todos os outros seguranças – Jefferson Medeiros, Valdenor Moraes e Jorge Dourado Nery – continuam presos. Em sua manifestação, o promotor Gadelha reforçou a argumentação lembrando que Jorge Nery e Valdenor Moraes já haviam feito o mesmo pedido, que foram negados também em segunda instancia, junto ao Tribunal de Justiça. Em novembro, o MPE já havia manifestado pela ida dos seguranças ao Júri Popular. A defesa de Belo informou que está confiante na decisão judicial.

Edição EDIÇÃO 16960




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