CIDADES
Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2009, 23h:53
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MALA PRETA
R$ 3 bi são sonegados
Operação do governo com Polícia Civil leva à prisão de 27 acusados de, através de fraude no Fisco, desfalcar erário
STEFFANIE SHCMIDT
Da Reportagem
De grão em grão, corretores, empresários e intermediários do ramo agrícola em Mato Grosso sonegaram cerca de R$ 3 bilhões aos cofres do Estado com emissão de notas frias e malabarismos fiscais. Eles foram presos ontem, durante a operação Mala Preta, desencadeada pela Polícia Civil em parceria com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). Dos 31 mandados de prisão, 27 foram cumpridos nos municípios de Rondonópolis, Sapezal, Paranatinga, Água Boa, Barra do Garças, Alto Araguaia e Sorriso, além de Cuiabá e Várzea Grande. Também houve presos nas cidades de Orlândia (SP) e Santa Rita do Araguaia (GO). Dois servidores da Sefaz, um deles aposentado, estão entre os detidos. O funcionário da ativa foi imediatamente afastado até a conclusão do procedimento interno do órgão. O esquema vinha acontecendo desde 2006, segundo o secretário Éder Moraes, responsável pela Sefaz. Por muitas vezes eu fiquei agoniado, mas sem poder agir para não comprometer a operação, afirmou. A partir do cruzamento de dados da produção agrícola e do imposto recolhido em determinadas regiões de Mato Grosso, o secretário identificou as disparidades no segmento agrícola. Ao mesmo tempo vínhamos recebendo várias denúncias sobre a sonegação fiscal, disse. Várias empresas eram constituídas por intermediários, inclusive de fora do Estado, para a compra de produtos agrícolas. Para fazer o escoamento da carga, elas se utilizavam de programas de incentivo, como o Prodeic, concedidos pelo governo estadual a empresas que ajudam a desenvolver determinadas regiões. Com isso, o recolhimento do imposto era inferior ao que um produtor sem incentivo teria de pagar. Exemplo disso foi a instalação de 145 novas empresas comercializadoras de milho no Estado em um curto espaço de tempo. Além disso, o produto era declarado como se fosse para exportação, que é isento de imposto, mas acabava se destinando ao comércio nacional. É uma situação desleal com quem recolhe adequadamente seus impostos, afirmou Moraes. Pela emissão das notas, as empresas cobravam de 3,5% a 5,5% do valor total da carga. Um exemplo encontrado pelas investigações foi uma nota emitida na segunda quinzena de outubro, no valor de R$ 194 mil, referente a um carregamento de feijão, que foi vendida por R$ 6,3 mil. O imposto que deveria ser recolhido sobre ela é de 12%, quatro vezes mais do que o valor pelo qual foi vendida. Por isso não era aceitável que na região dos municípios de Gaúcha do Norte e Paranatinga, responsáveis por 9% da produção agrícola do Estado e 23% do PIB, houvesse somente 4% de informações declaradas ao fisco. Uma omissão de 50% nas declarações, afirmou Moraes. Na região sul, que representa 26% da produção de Mato Grosso, 55% dos impostos não eram recolhidos. De acordo com a Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra Administração Pública, motoristas de carregamentos sonegados também recebiam dinheiro como incentivo a furar os postos fiscais.